Os primórdios do futebol em Vila Adolfo

Mesmo sendo considerada por muitos a nação mais apaixonada pelo futebol, o esporte não foi originário do Brasil. O jogo moderno foi criado na Inglaterra, com a formação da Football Association, cujas regras de 1863 são as bases do esporte na atualidade, considerado o desporto mais popular do mundo.

A história do futebol no Brasil começou apenas em 1895, pelas mãos dos ingleses, onde os primeiros clubes começaram a se formar neste período. Assim como a fundação dos clubes, a prática também era restrita à elite branca. A aristocracia dominava o futebol enquanto o esporte começava a ganhar as várzeas. As camadas mais pobres da população e até negros podiam apenas assistir. Somente na década de 1920 os negros passaram a ser aceitos ao passo que o futebol se massificava, especialmente com a profissionalização, em 1933.

Durante os governos, principalmente de Vargas, foi feito um grande esforço para alavancar o futebol no país. A construção do Maracanã e a Copa do Mundo do Brasil (1950), por exemplo, foram na Era Vargas. A vitória no Mundial de 1958, com um time comandado pelos negros Didi e Pelé, o mestiço Garrincha e pelo capitão paulista Bellini, ratificou o futebol como principal elemento de identificação nacional, já que reúne pessoas de todas as cores, condições sociais, credos e diferentes regiões do país.

Futebol em Vila Adolfo

No ano de 1912, na incipiente Vila Adolfo, (que a partir de 14 de abril de 1918 passou a ser denominada Catanduva), contando com aproximadamente umas 150 casas, a maioria de taboas, a diversão predileta de um grupo de jovens era a peteca. Quase todas as tardes, ali, onde hoje está a Igreja Matriz, em frente a pequena capela de São Domingos, reuniam-se diversos jovens a bater peteca.

Dias antes de 04 de agosto deste mesmo ano, onde se comemorava o dia do padroeiro, São Domingos de Gusmão, apareceu uma bola de futebol. Foi um alvoroço. Os rapazes deliberaram movimentar a pelota no mesmo local onde praticavam a peteca.

Chegado o dia 04 de agosto, com a celebração dos atos religiosos festivos em louvor a São Domingos, veio de Tabapuã, antiga Rancharia, o Padre Gasparino Dantas. Vendo os rapazes manobrando a bola de futebol, o saudoso vigário de Rancharia, entusiasmou-se de conseguir um campo e organizar um clube.

Com esse objetivo em mente, trataram de arranjar um espaço para poderem jogar futebol. Começaram a utilizar o terreno do Dr. Argemiro Silveira, engenheiro que residia em Taquaritinga, no local onde se encontra hoje a FATEC Catanduva. Para a adaptação do terreno, que continha grande quantidade de tocos e grandes formigueiros, recorreram os organizadores ao Cel. José Pedro da Motta, que de bom grado cedeu dois bois, bem como um couro, servindo este para receber a terra e colocá-la fora. Outros se dedicavam ao serviço de terraplanagem, surgindo o campo, mais ou menos, em setembro de 1912.

Clube São Domingos

Foi organizado o clube, com o nome de São Domingos, ficando a sua 1ª diretoria assim organizada: Presidente de Honra, Bento Ramalho, que era escrivão do Cartório de Paz; Presidente, Ernesto Ramalho; Secretário, Alípio Costa, que era oficial do Cartório de Paz; Tesoureiros, Godofredo de Oliveira Rosa, José Zacarias e Pedro Godoi.

O primeiro jogo realizado em Catanduva (ainda Vila Adolfo) foi contra Cândido Rodrigues, em outubro de 1912.

O nosso quadro estava assim formado: Elias Aiub, na meta; Gino e Gabriel Bonafé, irmãos, na zaga; José Gabeloni, Benedito Godol, Rafael Espanhol, linha média; Manoel Coelho, Godofredo Oliveira Rosa, Pedro Godoi, José Zacarias e João Godoi, linha atacante, atuando ainda os Srs. Egídio da Silva, Hidelbrando de Freitas, Epaminondas Alves, Roberto Machado e José Cizenando.

Emprestaram seu auxílio à formação do Clube e construção do campo os senhores Cel. José Pedro da Motta, João Spanazzi, Ernesto Scorza, Francisco Ferreiora de Carvalho, Manoel Ferreira da Silva, Domingos Felipe, Vitorino Costa, José Chab, Alexandre Sartori, João Augusto Marrar e outros.

O encontro com Cândido Rodrigues terminou empatado em 1X1.

A segunda partida que o São Domingos realizou foi em Rancharia (Tabapuã). A caravana deste seguiu embarcada até Ibarra (hoje Catiguá) e depois partiram rumo aquela cidade, onde foi recebida sob grandes festas, por banda de músicas, foguetes e discursos, tudo debaixo da orientação do Padre Gasparino Dantas, vigário da Paróquia Nossa Senhora dos Remédios de Rancharia e entusiasta esportista.

O placar do jogo terminou em 1X1.

Fonte de Pesquisa:

 - Acervo do Centro Cultural e Histórico Padre Albino

 

Foto: Capelinha de São Domingos, construída no ano de 1893. Erguida no local onde hoje está a Igreja Matriz, muitos jovens utilizavam a praça para jogarem peteca, nos primórdios de Vila Adolfo. A capelinha contava com 60 lugares.

Autor

Thiago Baccanelli
Professor de História e colunista de O Regional.