O nascimento contínuo de Jesus Cristo em nossos corações
Não se pode precisar, com rígida certeza, a data do nascimento de Jesus, mas é consenso que este evento aconteceu entre o oitavo e sexto ano antes do ano um da Era Cristã, ou seja, 8 a.C., -6 a.C. Isto se dá, porque o nascimento de Jesus ocorreu “nos dias de Herodes” e este faleceu no ano 4 a.C. O mês do nascimento de Cristo foi “Nisã”, o que corresponde a uma época entre março e abril. Quanto à data de 25 de dezembro, o Imperador Justiniano, no ano 354 d.C., decretou a comemoração ao nascimento de Jesus.
O nome Jesus é transcrição do grego e derivado da raiz hebraica “Jehoschua”, cujo significado é ajudar e salvar. O prometido no Éden pela semente da mulher feriria a cabeça da serpente. Jesus, o Filho da Trindade, existia com o Pai, na criação; na glória, antes que houvesse mundo, e designado Salvador, desde os tempos eternos. No plano simbólico, Jesus substituiu Isaque, em pleno monte Moriá, durante o sacrifício. No Egito, Cristo tipificou o cordeiro pascoal, que fora sacrificado pelos hebreus, precedendo o êxodo e sendo a rocha, em Horebe, como símbolo da presença divina durante a travessia no deserto. O contínuo nascimento é profético.
O Profeta Isaías afirmou, 700 anos antes do nascimento de Cristo, que o menino nasceria de uma virgem e seria o Emanuel (Deus conosco), da linhagem do Rei Davi e cumprimento da promessa messiânica – como filho, ele foi dado; como menino, ele teve de nascer. Assim, Jesus foi gerado por meio da ação do Espírito Santo e tornou-se mistério em toda a Literatura. “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”. O “logos” traduz o princípio de razão ou ordem imanente do universo, porquanto dá forma ao mundo material e constitui a alma racional do ser humano. A partir daí, os epítetos revelam as diversas epifanias cristãs: Filho de Deus (de eternidade em eternidade), Filho do Homem (participação na natureza humana) e Senhor (detentor de toda a sabedoria e domínio).
Maria e José viajaram 160 km de Nazaré a Belém, de sorte que a cidade natal foi reverberada – “E tu, Belém Efrata, [...] de ti sairá o que será Senhor em Israel”. Belém possuía casas edificadas em cavernas naturais, que funcionavam como estábulos e celeiros. Por causa do recenseamento, José e Maria ocuparam uma caverna servida como estábulo. A presença dos pastores representou o trabalho noturno, ou seja, uma classe social humilde de Belém, que fora privilegiada. Em seguida, os Magos do Oriente presentificaram a reverência astronômica, filosófica e matemática, ao trazer ouro, incenso e mirra. Estes presentes simbolizaram os três ofícios do ministério de Cristo: ouro (Rei), incenso (Sacerdote) e mirra (Profeta e Servo).
A palavra “adelfos”, do original grego, destaca, literalmente, “aquele que procede do mesmo ventre que outro”. Vem ela de “omou”, ao significar “mesmo” e de “delfos”, isto é, “útero”. Os efeitos da manifestação do verbo podem ser exalados de forma teórica e prática, no desempenho humano. Quem experimentou a essência do Natal é consciente do “ser cristão” (mudança de vida), pois o natalício sugere que Cristo nasça e habite em cada coração. O nascimento é constante, visto que a “fé, sem obra, é morta!”. Feliz Natal a todos!
Imagem: O Nascimento (1890), de Gustave Doré
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