O grande jornalista Nair de Freitas

Um dos profissionais que têm grande importância dentro de qualquer sociedade é o jornalista.  Profissional que lida com as notícias, com os dados factuais e com a divulgação das mais diversas informações, sendo grande responsável pela comunicação entre determinados povos e grupos.

Um jornalista pode atuar em vários campos, quer em jornais, revistas, televisão, rádio, sites, assessorias de imprensa, entre outros.

E há quem acredite que essa profissão é uma das novas tendências do mundo globalizado. Podemos sim dizer que com a globalização, as notícias e as informações são divulgadas num espaço muito maior e com uma rapidez impressionante.

Porém, desde os tempos mais remotos já existiam pessoas responsáveis pela divulgação dos fatos e feitos entre os povos, mesmo antes do jornal impresso existir.

No Império Romano, o imperador César fundara o Acta Diurna, uma maneira oficial de noticiar os resultados de guerras, dos jogos e de várias atividades políticas.

Durante a Idade Média, entrou em cena a figura dos trovadores, poetas do mundo europeu, que entre os séculos IX e XII, também exerciam o papel de noticiarem tudo o que acontecia.

Em 1440, Gutemberg desenvolveu a imprensa, o que permitiu produzir e reproduzir volumes e impressos, onde a partir do século XVII, surgiram semanários na Europa, com grande força na França e Alemanha.

Dentre os vários jornalistas de grande nome que Catanduva possui e já possuiu, um deles teve papel fundamental em nossa cidade, além de ser muito responsável e competente.

Seu nome é Nair de Freitas, saudoso jornalista de nossa cidade, que atuou em um dos mais famosos jornais de Catanduva, o extinto A Cidade.

Nair de Freitas

Nair de Freitas nasceu na cidade de Pederneiras, filho do casal Mariana Moreira César de Freitas e Alcebíades de Freitas, em 16 de outubro de 1913, vindo residir em Pindorama no ano de 1936 com a função de dirigir o semanário local.  Pouco tempo mais tarde, assumiu a direção do tão conhecido jornal A Cidade, em Catanduva.

A fundação do antigo jornal A Cidade, que ocorreu em 02 de março de 1930, se deu da ideia de alguns elementos jovens que decidiram tomar a iniciativa da publicação de um semanário na cidade. Entre os editores do jornal figuravam elementos vinculados à vida gráfica da cidade, que teve como primeiro proprietário o Sr. João Celestino, funcionando, de início, em um edifício na rua Maranhão, nº 112.

Com a morte de João Celestino, que aconteceu no ano de 1942, Nair de Freitas entrou de sociedade com o professor Geraldo Corrêa e Carlos Merighe, sociedade esta que durou até o ano de 1945, onde Nair se tornou o único proprietário de tal jornal.

Grande parceiro de Nair foi Carlos Machado, que permaneceu vários anos naquele estabelecimento. Carlos transformou-se no redator principal do jornal que em 1934 iniciou a imprensa diária de Catanduva.

Anos mais tarde, lá por volta da década de 1960, Nair passou ainda a contar com o apoio de Ornélio de Freitas, ocupando o cargo de co-diretor de A Cidade, juntamente com a cronista Carmy de Freitas, esposa de Nair.

Em julho de 1963, Nair de Freitas assumiu a chefia dos Serviços de Divulgação da Sunab – Superintendência Nacional de Abastecimento, órgão diretamente ligado à Presidência da República, com destacada atuação na área. Na época, foi um verdadeiro desafio para Nair, com a incumbência de levar diariamente informações a grande número de repórteres do Rio de Janeiro e São Paulo. Em março do mesmo ano, ao eclodir a Revolução, ou melhor dizendo, o Golpe Militar, todos os funcionários da SUNAB tiveram que deixar seus cargos, mas o jornalista Nair de Freitas foi convidado pelo novo superintendente a permanecer no órgão, embora viesse servindo o governo deposto do Sr. João Goulart. Nair permaneceu no cargo até o ano de 1965 e depois volta para Catanduva.

Dentre as várias notícias publicadas pelo seu jornal, uma ganhou destaque e sempre era comentada pelo jornalista: orgulhava-se se ter sido o primeiro jornal a dar a notícia da morte de Getúlio Vargas, fato destacado pelo jornal New York Times.

Uma das paixões da vida de Nair de Freitas eram as pescarias, que praticava com frequência ao lado de grandes amigos, como Gabriel Clemente, João Baldo, Orlando Zancaner e muitos outros. Em uma dessas pescarias, realizou um feito considerado grande entre os pescadores: chegou a pescar um jaú de 85 quilos.

Mesmo trabalhando arduamente no referido jornal, Nair de Freitas ainda participava ativamente do Rotary local.

Além de todas as contribuições que este jornalista ofereceu à Catanduva e região, foi o criador do slogan “Catanduva Cidade Feitiço”, título que perdura até os dias de hoje.

Em 1978, por motivos de doença, afastou-se das funções de jornalista, vindo a falecer no dia 22 de julho de 1985.

Seu sepultamento se deu no Cemitério Jardim Monsenhor Albino, com missa celebrada pelo padre Synval Januário, onde depois também foi velada na Câmara Municipal de Catanduva.

Como forma de gratidão e respeito pelo trabalho que Nair de Freitas executou em nossa cidade, foi decretado luto oficial em Catanduva.

De acordo com o decreto nº275 de julho de 1985, este determina:

“Artigo 1º - Fica decretado luto oficial no município de Catanduva durante três dias, em homenagem póstuma ao grande catanduvense Nair de Freitas.

Artigo 2º - Rendem-se-lhe as homenagens de que é merecedor.

Artigo 3º - Este decreto entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrários.”

Clube Popular Nair de Freitas

Após sua morte, como forma de homenagem e preservação de sua memória, que tanto fez por Catanduva, foi-se criado o Clube Popular Nair de Freitas, uma das grandes conquistas da população catanduvense.

A inauguração do Clube Popular, localizado na avenida São Domingos, foi realizada às 12 horas do dia 22 de setembro de 1985, com a presença do Governador Franco Montoro e sua comitiva, além da presença de convidados especiais, familiares do homenageado e do jornalista Roberto Santos, presidente do CBI – Consórcio Brasileiro de Imprensa e ADJORI – Associação dos Jornais do Interior, que veio da Capital especialmente para prestigiar esta homenagem.

O Clube Nair de Freitas foi desativado no ano de 2001 pela Prefeitura Municipal, onde as placas já tinham sido retiradas na gestão Warley Agudo Romão, e que não se teve mais notícia do paradeiro de ambas.

Fonte de Pesquisa:

 - Livro “A História de Catanduva de A a Z”, de Vicente Celso Quaglia

 - Acervo do Centro Cultural e Histórico Padre Albino

 

Foto: Nair de Freitas estava sempre presente nos acontecimentos importantes de Catanduva. Na foto, temos o início das obras do Hospital Mahatma Ghandhi, aparecendo ao lado de Guido Broglia, Armando Prandi, Maurício Francisco Vieira, Cláudio Rossini e o então prefeito João Righini.

Armando Prandi, Maurício Francisco Vieira, Cláudio Rossini e o então prefeito João Righini

Autor

Thiago Baccanelli
Professor de História e colunista de O Regional.