O fim do silêncio
A mobilização da Semana Justiça pela Paz em Casa, coordenada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), trouxe à luz dados alarmantes sobre a violência doméstica no Brasil. Na Comarca de Catanduva, que abrange quatro municípios, a soma de 1.109 processos criminais em andamento na 1ª e 2ª Varas Criminais é um retrato frio de quantas vidas estão sendo afetadas por um ciclo destrutivo. Esses números reforçam a urgência de demolir, de uma vez por todas, a velha e perigosa máxima de que “em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher”. A violência doméstica não é um assunto privado; é um crime público que ameaça a integridade física, psicológica e social da vítima e de toda a comunidade. O silêncio e a omissão são cúmplices do agressor. A intervenção externa – seja ela da polícia, do judiciário ou de vizinhos e amigos – não é intromissão, mas sim um ato de responsabilidade social. Para que a justiça seja célere, como buscou a iniciativa do CNJ, a ponta inicial dessa engrenagem deve ser a coragem da denúncia. A vítima, muitas vezes silenciada pelo medo, manipulação ou dependência, precisa ser encorajada a buscar ajuda. As forças de segurança, por sua vez, têm o papel crucial de proteger a vítima no momento da crise e garantir que o agressor seja responsabilizado de forma exemplar. Punir o agressor é a única forma de quebrar o ciclo de violência, enviando mensagem clara de que a impunidade acabou. A celeridade processual alcançada por iniciativas como a Semana Justiça pela Paz em Casa é vital, pois cada dia de espera é um dia a mais sob risco. A luta contra a violência doméstica exige uma rede de proteção completa: da denúncia anônima à condenação efetiva. Somente com a intervenção firme da sociedade e do Estado, podemos garantir que os lares se tornem, de fato, locais de paz, e não cenários de medo.
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