Netflix compra a Warner (HBO Max)

Caiu como uma bomba a notícia de que a Netflix, meio que correndo por fora, venceu a disputa com o “homem mais rico do mundo”, David Ellison que, com seu filho Larry, e apoio do governo Trump, pretendia assumir um dos últimos grandes estúdios do século passado, a tradicional Warner, que já havia comprado a DC (Superman, Batman, etc) e por sua vez já fora absorvida pela Discovery. Com a Disney sendo a outra gigante que absorveu vários estúdios e marcas (Fox, Marvel, Pixar, Star Wars e outras), o mercado de entretenimento se afunila em grandes corporações digitais, enquanto o espaço dos cinemas parece diminuir para um nicho à parte. A margem de exibição entre as telas de cinema e o streaming, fica cada vez menor.

A Netflix anunciou um acordo para adquirir a divisão de estúdios e streaming da Warner, sem os canais à cabo, uma mídia com cada vez menos assinantes. O valor total da empresa na transação está estimado em cerca de 82,7 bilhões de dólares. O valor de mercado para os acionistas é de 72 bilhões. O acordo prevê que os acionistas da Warner Bros. Discovery (WBD) receberão US$ 27,75 por ação, em uma combinação de dinheiro (US$ 23,25) e ações da Netflix (US$ 4,50).

Desse modo, a Netflix venceu uma disputa que incluía outros grandes nomes, como a Paramount Skydance (da big tech Oracle) e a Comcast (controladora da Universal).

A aquisição abrange marcas valiosas como a HBO, com o seu catálogo  que inclui séries de Game of Thrones, Succession, The White Lotus e The Sopranos; além  dos estúdios de cinema e TV da Warner com os longas, séries e animações  do Universo DC (Batman, Superman, etc.), Harry Potter, Friends, The Big Bang Theory, Looney Tunes, e o acervo cinematográfico clássico (Casablanca, Cidadão Kane etc).

Antes que a Netflix assuma o controle total, no entanto, a Warner Bros. Discovery terá que concluir a cisão de sua divisão Global Networks (que inclui canais a cabo como CNN, TNT e Discovery Channel). Esses canais formarão uma nova empresa, a Discovery Global. A separação dos canais está prevista para o terceiro trimestre de 2026. A conclusão total da compra pela Netflix deve ocorrer entre 12 a 18 meses a partir de agora. O acordo ainda passará por um intenso escrutínio antitruste (órgãos reguladores nos EUA e Europa), devido à preocupação de que a fusão possa criar um gigante com domínio excessivo no mercado de streaming e produção de conteúdo. O governo Trump, aliado da Skydance, que se espera seja o controlador americano do Tik-Tok (ou isso ou empresa chinesa seria fechada, num exemplo de que “liberdade de expressão” não é para todos).

Essa é uma mudança estratégica maciça para a Netflix, que tradicionalmente priorizava o crescimento orgânico e a produção original. A aquisição de um estúdio centenário com um acervo inigualável solidifica sua posição como uma potência global do entretenimento, combinando o alcance do streaming com um catálogo histórico de marcas de peso.

A empresa afirmou que pretende manter as operações atuais da Warner Bros., incluindo lançamentos nos cinemas, como os novos filmes de Supergirl e The Batman; portanto, o conteúdo criativo deve continuar com James Gunn – pelo menos por enquanto. Afinal, ter uma janela nos cinemas e concorrer ao Oscar é um ativo valioso. No entanto, com toda essas mudanças envolvendo novas tecnologias, o futuro das salas de cinema fica cada vez mais relegado a um circuito restrito e a filmes-eventos. 

De certa forma, é o mundo corporativo dominando o planeta, como “profetizado” nos livros e filmes de ficção científica “ciberpunks” dos anos 80, tipo Neuromancer, Blade Runner ou Alien.  

Autor

Sid Castro
É escritor e colunista de O Regional.