Música requentada [01.02.26]

Às vezes me surpreendo quando algum cantor grava uma música “das antigas” e ela estoura nas paradas de sucesso. Mais surpreendente ainda é a cara das pessoas quando descobrem que é regravação.

Este é um hábito antigo do meio artístico. Acontece no cinema com os remakes, no teatro com novas montagens de peças clássicas, artistas plásticos que adotam estilos já consagrados. E na música, onde é muito mais comum. O curioso é que não existe uma fórmula do sucesso. São várias as situações. Às vezes fez sucesso no passado e na regravação o sucesso se repete. Muitas vezes, não faz tanto sucesso com seu autor e se notabiliza na voz de outro cantor. Aparece quando se faz um trabalho de garimpagem nas antigas canções.

Antes, falarei das músicas brasileiras mais gravadas. A campeã é “Aquarela do Brasil” (1939) de Ary Barroso com 404 versões. Citando algumas das estrangeiras, Frank Sinatra, Paul Anka, Ray Conniff e Plácido Domingo. A seguir vem o clássico “Carinhoso” (1924) de Pixinguinha com 403 versões. Depois vem “Garota de Ipanema” (1962) de Vinicius de Moraes e Tom Jobim com 292 vezes e gravações de Sinatra, Ella Fitzgerald, Nat King Cole, Stevie Wonder, Madonna e Amy Winehouse. Tem ainda “Feelings” de Morris Albert e Asa Branca de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira.

Citarei os casos mais curiosos. A música “A Lua e eu” (1976), de Cassiano, foi regravada com uma batida diferente pelo grupo de pagode Pixote. O cantor Hyldon teve “As dores do mundo” (1975) gravada pelo Jota Quest e “Na rua, na chuva e na fazenda” (1974) gravada pelo Kid Abelha.

A música “Você não me ensinou a te esquecer” (1978) de Fernando Mendes foi regravada por Chrystian e Ralf, Bruno e Marrone e Caetano Veloso, quando chegou a ser indicada para concorrer ao Grammy Latino.

Gal Costa é campeã de garimpar músicas antigas, algumas já esquecidas. Já gravou “Índia” (1955) imortalizada nas vozes de Cascatinha e Inhana, “Trem das Onze” (1964) de Adoniram Barbosa, “Só Louco” (1955) de Caymmi, “Alguém me disse” (1960) de Jair Amorim e Evaldo Gouveia e mais de uma dezena de outras regravações de clássicos. Sou suspeito para falar. Considero-a a maior voz feminina da música brasileira.

A cantora Baby Consuelo do Brasil, fez sucesso com “Brasil Pandeiro” (1940) de Assis Valente que foi rejeitada por Carmem Miranda.

No plano internacional, cito o maior sucesso da cantora Whitney Houston que foi a regravação de “I Will Always Love You” (1974) de Dolly Parton. E finalizo com a maior de todas as músicas, “My Way” (1967) do cantor francês Claude François, cujo nome original é “Comme d´habitude”. Foi imortalizada por Frank Sinatra e também gravada por Elvis Presley, Gipsy Kings e centenas de outros cantores. A lista é interminável. Nem falei dos clássicos da música caipira. Isso fica para outro dia.

Autor

Toufic Anbar Neto
Médico, cirurgião geral, diretor da Faceres. Membro da Academia Rio-pretense de Letras e Cultura