Mulheres ainda são minoria na tecnologia

O setor de tecnologia é um dos que mais crescem no Brasil, mas ainda enfrenta um desequilíbrio estrutural. Mulheres representam cerca de 20% dos profissionais da área, segundo a Brasscom. Em funções técnicas, como desenvolvimento de software e engenharia, esse percentual é ainda menor.

Esse cenário contrasta com a demanda crescente por mão de obra qualificada. A própria Brasscom estima que o país precisará de mais de 530 mil novos profissionais de tecnologia até 2029. Isso significa que ampliar a participação feminina não é apenas uma questão de equidade, mas uma necessidade concreta para sustentar o crescimento do setor.

Empresas de tecnologia convivem diariamente com o desafio de formar e reter talentos. Limitar o acesso de mulheres a essas oportunidades reduz o potencial técnico disponível e restringe a diversidade de perspectivas dentro das equipes. A inovação depende da capacidade de analisar problemas sob diferentes ângulos e construir soluções consistentes.

A ampliação da presença feminina exige decisões estruturadas. É necessário criar ambientes onde mulheres tenham acesso à formação técnica, participação em projetos relevantes e oportunidades reais de crescimento. A evolução profissional depende dessas condições.

Outro ponto decisivo é a formação de lideranças. Quando mulheres ocupam posições técnicas e de gestão, elas contribuem diretamente para o fortalecimento das equipes e para a construção de ambientes mais preparados para lidar com a complexidade do setor de tecnologia.

Esse movimento também tem impacto na formação de novas profissionais. A presença de mulheres em funções técnicas e estratégicas amplia as referências e contribui para reduzir barreiras históricas de acesso à área.

Empresas que atuam com tecnologia precisam assumir um papel ativo nesse processo. A formação de profissionais não acontece apenas nas universidades. Ela continua dentro das organizações, por meio de projetos, desafios técnicos e experiências práticas.

A ampliação da presença feminina na tecnologia é parte da evolução natural do setor. Trata-se de preparar as empresas para uma demanda crescente, fortalecer a capacidade de inovação e garantir acesso a todo o potencial técnico disponível.

Cristina Bertolino

Diretora de Governança e Desenvolvimento Organizacional da Shift

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Colaboradores
Artigos de colaboradores e leitores de O Regional.