Momento de incerteza

O recente estudo do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Crecisp), referente a novembro de 2025, trouxe um dado que merece atenção: a queda de 53,57% nas vendas de imóveis residenciais usados na região de São José do Rio Preto, quando comparado a outubro do mesmo ano. Este recuo, embora significativo em termos percentuais, contrasta com um cenário anual ainda robusto, que registra crescimento de 82,35% nas vendas e de 34% nas locações ao longo de 2025. A discrepância entre o desempenho mensal e o acumulado anual levanta questionamentos sobre as causas imediatas dessa desaceleração. Uma das hipóteses mais plausíveis reside na insegurança inerente à compra e ao financiamento de imóveis em períodos de maior volatilidade. Taxas de juros ainda elevadas, a dificuldade em obter aprovações de crédito ou a simples hesitação em assumir um compromisso financeiro de longo prazo diante de um cenário econômico incerto podem levar potenciais compradores a adiar suas decisões. Aliada a essa cautela individual, está a incerteza da própria economia nacional. Fatores como a inflação, o desempenho do mercado de trabalho, as projeções de crescimento do PIB e o ambiente político-econômico podem gerar um clima de apreensão que se reflete diretamente em investimentos de grande porte, como a aquisição de um imóvel. Novembro, por vezes, que se aproxima do final de ano, pode ser um mês em que essas incertezas se aglutinam, impactando o consumidor. No entanto, é fundamental não perder de vista o contexto geral. O expressivo crescimento acumulado no ano sugere que a queda pontual de novembro pode ser mais uma oscilação natural do mercado do que um prenúncio de reversão de tendência. Pode refletir fatores sazonais, ajustes de mercado ou a consolidação de um patamar mais estável após um período de forte aquecimento. A resiliência demonstrada ao longo de 2025 indica que, apesar das flutuações mensais, a confiança no setor imobiliário, impulsionada por fatores como a demanda reprimida e a busca por segurança patrimonial, permanece em alta.

Autor

Da Redação
Direto da redação do Jornal O Regional.