Minha família não está enlatada
O desfile da Acadêmicos de Niterói ultrapassou uma linha perigosa.
Colocar a chamada “família tradicional”, pai, mãe e filhos, dentro de uma lata de conserva, não é arte inocente. É símbolo. E símbolo fala alto.
E quando se transforma milhões de famílias brasileiras em algo “enlatado”, ultrapassado ou padronizado, não é debate cultural. É provocação.
Eu não estou falando de direita.
Não estou falando de esquerda.
Não estou falando de política.
Estou falando de respeito.
Cada família vive conforme aquilo que se acredita. Conforme aquilo que escolhe ensinar aos seus filhos. E filhos crescem, escolhem seus próprios caminhos, pensam diferente, mudam de religião, mudam de profissão, mudam de visão de mundo. Isso é da vida.
Nem todo filho de evangélico será evangélico.
Nem todo filho de católico será católico.
Nem todo filho de juiz seguirá a toga.
Nem todo filho de médico herdará o jaleco.
Mas isso não transforma a família de origem em algo “enlatado”.
A pergunta que ecoa é simples:
Quem é uma escola de samba para decidir qual retrato de família é moderno e qual é ultrapassado?
Quem é qualquer instituição para sugerir que uma configuração familiar é caricatura?
O Brasil é plural.
Existem famílias com pai e mãe.
Existem famílias com duas mães.
Existem famílias com dois pais.
Existem famílias com avós criando netos.
Existem mães solo que são gigantes.
Mas diminuir uma para exaltar outra não é avanço. É disputa.
Arte é livre.
Mas liberdade não significa ausência de responsabilidade.
Quando se mexe com aquilo que milhões consideram sagrado, sua casa, seus filhos, seus valores, a reação vem. E não é sobre intolerância. É sobre dignidade.
Família não é lata.
Família é construção diária.
É sacrifício.
É renúncia.
É amor.
Danyela Xavier
Digital Influencer
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