Michael: O Rei do Pop volta às telas

Nos últimos anos, uma das tendências da indústria cinematográfica foi a onda das cinebiografias de grandes astros e bandas do pop internacional (e nacional também). Entre elas, Bohemian Rhapsody (Queen), em 2018, Rocketman (Elton John), 2019 e Elvis, em 2022, entre outros Depois de amanhã começa a pré-venda para a exibição, a partir de quinta, nas salas de cinema brasileiras, de um dos lançamentos mais ambiciosos da década: Michael, a cinebiografia oficial do indiscutível Rei do Pop, que chega cercada de expectativas estratosféricas. Após enfrentar adiamentos estratégicos ao longo do ano passado, o épico musical promete entregar uma imersão profunda na vida, no gênio criativo e nos complexos bastidores familiares de um dos artistas mais famosos da história.

A narrativa do filme traça a jornada do cantor desde os seus primeiros e rigorosos dias na Motown com o Jackson 5, na década de 1960, até a sua ascensão como o maior ícone solo do planeta. O filme mostra a dualidade do artista entre o perfeccionismo que resultou nas performances mais icônicas do século XX e os intensos dramas pessoais e midiáticos que marcaram sua trajetória.

Com direção do experiente Antoine Fuqua (Dia de Treinamento), o elenco apostou seu maior trunfo na escalação do protagonista: Jaafar Jackson é sobrinho do cantor na vida real, filho de Jermaine Jackson. Fazendo sua grande estreia no cinema, Jaafar impressionou a equipe com sua semelhança não apenas física e vocal, mas com a capacidade natural de emular o tio. Na fase infantil, outro estreante: Juliano Krue Valdi.

O elenco de apoio é recheado de grandes estrelas de Hollywood: Colman Domingo (de A Cor Púrpura) assume o papel de Joe Jackson, o patriarca rigoroso e altamente controverso da família; Nia Long é Katherine Jackson, a matriarca; Miles Teller (Top Gun: Maverick) vive John Branca, o implacável advogado de Michael. Nomes como Kat Graham e Larenz Tate também aparecem como ícones da indústria, interpretando Diana Ross e Berry Gordy, respectivamente.

Com orçamento gigante estimado em até 200 milhões de dólares, Michael é forte concorrente para o Oscar 2027.

O medo de muitos críticos de que o filme possa ser “chapa branca” se revela no fato dele ser coproduzido por John Branca e John McClain, que são os coexecutores oficiais do espólio de Michael Jackson. Mas o filme não poderia existir sem essa autorização, que garantiu acesso irrestrito ao catálogo musical do astro, fundamental para o filme – assim como levantou curiosidade na imprensa sobre como o roteiro tratará os episódios mais espinhosos da vida do cantor com a família tão envolvida no controle criativo.

Autor

Sid Castro
É escritor e colunista de O Regional.