Meu mundo e nada mais

Guilherme Arantes é paulistano e nasceu em 1953. Começou a carreira em 1973, como pianista e vocalista de uma banda de rock progressivo e MPB, Moto Perpétuo, que acompanhava vez ou outra o cantor Jorge Mautner. Desligou-se do grupo em 1975 e no seguinte, teve sua canção “Meu mundo e nada mais” incluída na trilha sonora da primeira versão de “Anjo mau” (1976). Era a música tema do personagem Rodrigo, interpretado por José Wilker. Na refilmagem (remake) da novela em 1997, voltou a ser a música tema do mesmo personagem, desta vez interpretado por Kadu Moliterno. Em 1976, lançou seu primeiro álbum com o nome do sucesso da novela.

Ainda na década de 1970 lançaria mais três álbuns. Emplacou grandes sucessos como “Cuide-se bem”, “Baile de máscaras”, “Amanhã” e “Êxtase”. Em 1980, Elis Regina gravou “Só Deus é quem sabe” e “Aprendendo a jogar”. No ano seguinte, 1981, lança sucessos como "Deixa Chover" e "Planeta Água", esta responsável por levá-lo à final do Festival MPB-Shell daquele ano. Ao longo da década, foi acumulando hits e trilhas de novelas, tais como "O Melhor vai começar", "Lance legal" (1982), "Pedacinhos" (1983), "Cheia de charme", "Olhos vermelhos", "Fã Número um" (1985), "Coisas do Brasil" (1986), "Um dia, um adeus", "Ouro", "Marina no ar" (1987), "Raça de heróis" e "Muito diferente" (1989).

São 27 músicas em trilhas sonoras de novelas, constituindo-se num dos maiores desta modalidade. Emplacou músicas em trilhas sonoras de programas infantis, a exemplo de "Brincar de Viver", na voz de Maria Bethânia, e "Lindo Balão Azul", interpretada por Baby Consuelo, Bebel Gilberto, Moraes Moreira e Ricardo Graça Mello. São 34 discos na carreira, sendo o último lançado em janeiro deste ano, para comemorar os 50 anos da carreira solo.

Rotular seu estilo é difícil. Começou no rock progressivo, passou pela MPB, introduziu o estilo “new wave”, virou um grande “hitmaker” de novelas e paradas de sucesso. Explorou temas complexos em seus álbuns mais recentes. Pianista virtuoso, faz parte do seleto hall da fama da Steinway & Sons. Suas canções são descritas como "pequenas obras-primas", destacando-se por introduções marcantes e arranjos sofisticados que vão além da balada convencional. São temas recorrentes de suas canções a natureza, o existencialismo e a angústia criativa.

Teve uma breve pausa na carreira recentemente por conta de problemas de saúde (cirurgia cardíaca e colocação de prótese de quadril). Guilherme Arantes faz em média três shows por semana, sempre embalados por plateias que cantam em coro seus sucessos, prova que sua música é atemporal e segue conquistando novas gerações. Ainda evoca memória, emoção e intensidade, celebrando meio século de história de um artista que é patrimônio da música brasileira.

Autor

Toufic Anbar Neto
Médico, cirurgião geral, diretor da Faceres. Membro da Academia Rio-pretense de Letras e Cultura