Megaeventos

O Brasil não estava no mapa das turnês internacionais até 1980. Eram raras as atrações que tinham vindo para cá. Na década de 1970, aconteceram shows do Santana, Alice Cooper e Jackson Five, incluindo um Michael Jackson com 16 anos. Tudo mudou quando Frank Sinatra veio para uma série de shows, culminando com um no Maracanã.

Foi uma verdadeira novela. O início de tudo foi um comercial do uísque Passport, gravado por Sinatra em Las Vegas, no ano de 1977. O publicitário Roberto Medina tinha conseguido a façanha com a ajuda do músico brasileiro Sérgio Mendes. Depois de se conhecerem, Medina vivia insistindo com o cantor para que ele viesse ao Brasil fazer um show para no mínimo 60 mil pessoas. Até maquete do Maracanã ele levou para explicar como funcionaria o evento. Foram meses de negociação que culminou com um cachê de um milhão de dólares (quatro milhões corrigido para valores atuais). Eram quatro shows no hotel Rio Palace e o megaevento no Maracanã.

Nunca tinha acontecido algo desse porte no Brasil. Metade das pessoas acreditava que ia ser a melhor coisa do mundo. A outra metade achava que não ia dar certo. Tinha ainda os que, por incrível que pareça, torciam contra. Treze toneladas de equipamentos vieram de navio e mais uma carga de material delicado num Boeing. O aparato de segurança também era inédito. No dia do show, chovia no Rio de Janeiro. Sinatra afirmou que não faria o show debaixo de chuva. Ao mostrarem o estádio lotado com 175 mil pessoas para ele, mudou de ideia e subiu para um dos eventos mais épicos da nossa história musical. Gostou tanto de fazer o show, o de maior público da sua carreira, que voltou no ano seguinte.

O evento, indiretamente, serviu de recado para toda a indústria do entretenimento internacional. O Brasil era viável. Se o mais exigente de todos tinha vindo e dado certo, por que não os demais? Tanto que em 1985, Medina fez o lendário Rock in Rio, com Queen, Iron Maiden, AC/DC, Rod Stewart, Yes, B-52's, Nina Hagen, Ozzy Osbourne e Whitesnake, algo inimaginável cinco anos antes.

O legado ficou. O Brasil é rota obrigatória para qualquer artista de nível internacional. São noticiados na imprensa e na mídia internacional os megaeventos que acontecem em Copacabana. O maior show da história, consta no Guiness Book, é o do Rod Stewart, em 1994, na praia de Copacabana, com uma plateia superior a 3,5 milhões de pessoas. No mesmo lugar, Jorge Benjor fez um com três milhões, Lady Gaga com 2,5 milhões (2025), Madonna com 1,6 milhões (2024) e Rolling Stones com 1,5 milhões (2006). Em tempos bicudos, os megaeventos movimentam o setor de entretenimento, o pessoal faz uns bicos e tira uns trocos, o comércio tem um refresco. Que venham os gringos!

Autor

Toufic Anbar Neto
Médico, cirurgião geral, diretor da Faceres. Membro da Academia Rio-pretense de Letras e Cultura