Linda Menina

Senhores Pais, como sabem, domingo é dia das mães, dia de falarmos de quem são as mães de seus filhos, de festejarmos elas.

Se tudo correr bem, não há nenhum homem no planeta Terra que possa freá-las. Elas decidem, elas querem, elas vão ter seus filhos.

Com esta força elas já se sentem grávidas, mesmo antes de seus filhos chegarem, seja da forma que isto acontecer - gestação, adoção.

E esta força vai acompanhá-las pelo resto da vida. Estejam certos queridos pais, se vocês entenderem isto, metade do rolê vai estar garantido.

Como leoas, elas protegem suas crias. Aliás, elas sabem de seus filhos desde muito cedo, às vezes antes deles chegarem. Isto é o que chamamos de desejo.

Depois que eles chegam, elas já são especialistas em todos tipos de choros. E dizem - ... “este choro é de fome, este? É sono!” E por aí vai. Elas sabem do que eles gostam e quais são suas preferências.

E tem mais, não deixe ninguém falar mal de seus filhos porque, se elas souberem, as relações, sejam elas de que ordem for, estarão seriamente ameaçadas.

O que Freud diria disto? - olha lá o que você vai dizer Dr. Freud!!! Ele e outros já disseram. Eles nos “salvaram”.

Em meio a tantos conceitos descritos para explicar o que acontece entre os seres humanos quando as mudanças corpóreas, biológicas e psíquicas acontecem, são as mães e os pais que participam deste processo para sinalizar as novidades que estão chegando, são os seus bebês.

E entre acertos e erros, se temos saúde mental, saímos da onipotência porque, ao entender que falhamos, abrimos espaço para o outro que chega, decidimos ter ou não filhos, e viva a liberdade de poder escolher e decidir o que achar melhor para si.

As mães começam a existir a partir deste turbilhão de mudanças que fazem seus filhos se constituírem, e na função de espelho, onde o processo de individuação é capaz de dar nome e existência aos filhos, eles se complementam e, ao mesmo tempo que ensinam, aprendem e crescem com eles.

As mães sabem, querem saber, erram, existem, e são tão sábias como e com seus pais, afinal, é uma parceria de levar a vida juntos.

E se a sociedade funcionou até pouco tempo atrás crendo que um super poder materno era somente atributo delas, os tempos mudaram, que alívio.

Quando elas ficavam em casa e seus maridos saíam para trabalhar, embaixo do tapete existia muita gente desconfortável querendo e procurando mudanças. 

Por que agora, elas também trabalham fora...e dentro de casa. 

E eles? Estão aprendendo a funcionar numa família onde as trocas e os combinados podem e devem acontecer.

Eles trocam fraldas e sabem também - os tipos de choros de seus bebês e como eles gostam de dormir. Fazem penteados nos cabelos de suas meninas, são técnicos dos times de futebol, deles e delas. Eles ensaiam balé e fazem panquecas no café da manhã, leem livros na cama antes de dormir, sabem a temperatura certa da mamadeira, enfim, estão se reinventando.

Os tempos mudaram para nos ensinar que podemos levar a vida mais leve, deixando a correria de lado para aproveitar as pequenas construções diárias que a vida familiar é capaz de proporcionar quando, homens e mulheres aprendem e ensinam, e deixam o Jornal e o computador de lado quando, chegando em casa, estão para seus filhos e sua família.

Os tempos mudaram!

Música “Beautiful boy”, John Lennon.

 

Foto do acervo @zogheibclaudia

Autor

Claudia Zogheib
Psicóloga clínica, psicanalista, especialista pela USP, atende presencialmente e online. Redes sociais e sites: @zogheibclaudia, @augurihumanamente, @cinemaeartenodivã, @livros.no.diva, www.claudiazogheib.com.br e www.augurihumanamente.com.br