Kill Bill: The Whole Bloody Affair

Kill Bill: The Whole Bloody Affair é a versão definitiva e restaurada dos filmes Kill Bill de Quentin Tarantino, unindo o Volume 1 (2003) e Volume 2 (2004) em um único épico contínuo de aproximadamente 4 horas. Lançado com cenas estendidas e inéditas, o longa apresenta a jornada de vingança da Noiva (Uma Thurman) contra Bill (David Carradine) e seu esquadrão de forma ininterrupta, sem a divisão original em duas partes. Vinte e dois anos após o impacto inicial de sua saga de artes marciais, Quentin Tarantino finalmente entrega ao público a versão que sempre planejou. Kill Bill: The Whole Bloody Affair (algo como “o caso sangrento inteiro”), em exibição nos cinemas desde a última semana, não é apenas uma "maratona" dos dois filmes originais, mas uma obra única e épica, consolidando a visão monumental do diretor sobre honra e retaliação. Infelizmente, o filme não está em exibição em Catanduva, apenas no Cine Araújo no Rio Preto Shopping. Mas breve estará em venda sob demanda ou em streaming. Os dois filmes originais podem ser vistos na Netflix.   

Quentin Tarantino é, talvez, o último grande diretor "popstar" de Hollywood. Sua carreira foi moldada por diálogos afiados, trilhas sonoras impecáveis e uma enciclopédia viva de referências cinematográficas. Desde o estouro de Pulp Fiction (1994) até o recente Era uma Vez em... Hollywood (2019), o cineasta manteve a promessa de se aposentar após seu décimo longa-metragem.

Ao lançar The Whole Bloody Affair agora, em 2026, Tarantino reforça sua contagem pessoal: ele sempre considerou os dois volumes de Kill Bill como um único filme. Este relançamento serve como um lembrete de sua maestria antes de ele seguir para seus novos projetos: uma peça de teatro em Londres e seu 10 º e último filme, ainda sem nome, antes de se aposentar.

A trama funde os eventos dos dois volumes; Uma Thurman é Beatrix Kiddo, a "Noiva", uma ex-assassina de elite que, no dia de seu casamento, sofre um atentado brutal por seus antigos aliados do Esquadrão de Assassinos Víboras Mortais.

Após acordar de um coma de quatro anos, ela descobre que o bebê que carregava se foi. Movida por um ódio implacável, ela traça uma lista de morte para eliminar um a um: O-Ren Ishii (Lucy Liu), Vernita Green (Vivica A. Fox), Budd (Michael Madsen) e Elle Driver (Daryl Hannah).

O objetivo final? O homem que puxou o gatilho e deu nome à missão: Matar Bill (Carradine).

Diferente da divisão feita originalmente por pressão do produtor Harvey Weinstein (que temia o fracasso de um filme tão longo e hoje está na cadeia – embora não por isso), esta versão é a montagem que Tarantino exibiu no Festival de Cannes em 2006. As principais diferenças são:

Sem o gancho do final do Volume 1, que revelava que a filha da Noiva estava viva. Agora, o espectador descobre a verdade junto com a protagonista apenas no clímax final, o que aumenta drasticamente o peso emocional da jornada.

A icônica batalha na Casa das Folhas Azuis contra os "Loucos 88", que era em preto e branco no original (para evitar a censura), agora é exibida em cores vibrantes e sangrentas.

Outra novidade é que a sequência em estilo anime que narra o passado de O-Ren Ishii ganhou cerca de sete minutos extras de violência e detalhes inéditos.

O filme também inclui um intervalo clássico de 15 minutos, permitindo que o público respire entre a ação frenética do estilo oriental da primeira metade e o tom de faroeste italiano da segunda.

A decisão de Tarantino de lançar esta versão em 2026 nos cinemas (e em formatos especiais como 70mm) foi bem recebida pela crítica e pelo público. A repercussão destacam que a obra, quando vista sem interrupções, deixa de ser uma "homenagem ao gênero" para se tornar um épico dramático sobre maternidade e perda. Para Tarantino, é a correção de um erro histórico e o fechamento de um ciclo que durou mais de duas décadas.

Autor

Sid Castro
É escritor e colunista de O Regional.