Instituições de Saúde em Catanduva (II)
Em matéria da semana passada, comentei sobre algumas instituições de saúde que fizeram e fazem parte da História de Catanduva. Como não foi possível citá-las todas em uma única matéria, encerro hoje a abordagem das instituições médicas de nossa cidade.
Palácio da Saúde
O famoso “postão da rua Pará”, que foi inaugurado com o nome de Palácio da Saúde, teve sua pedra fundamental lançada às 8h30 do dia 23 de setembro de 1952, contando com grande festa e com a presença de inúmeras personalidades de destaque na sociedade, quer no âmbito municipal, estadual, federal, além de outras grandes figuras.
A partir de 1974, o prédio passou a levar o nome do Dr. José Perri, como forma de homenagem ao médico formado na Itália, mas que muito contribuiu em nossa cidade e região, falecendo em 03 de junho de 1968.
Hospital de Tuberculosos de Catanduva
O Hospital de Tuberculose de Catanduva surgiu da iniciativa do então governador do Estado de São Paulo, Adhemar de Barros, que construiu quatro hospitais com o mesmo intuito na mesma época: um aqui em Catanduva, outros em Araraquara, Lins e Botucatu, já que naquele período a tuberculose matava muita gente. Não havia tratamento adequado para tal doença, e os recursos eram precários.
Com o apoio de políticos locais, como o prefeito Antônio Stocco, Dr. Ítalo Záccaro, Carlos Machado e os demais vereadores da Câmara Municipal de Catanduva, foi-se construindo o prédio, sendo oficialmente inaugurado em 11 de junho de 1960, pelo Secretário de Saúde e Higiene Pública do Estado, Dr. Fauze Carlos. O hospital teve como título o nome de Hospital Emílio Carlos, em homenagem ao advogado, político e radialista da BBC de Londres, irmão do secretário de saúde, ambos catanduvenses.
O hospital continha 672 leitos, imensa cozinha e ampla área de lavanderia, além de ser construído dentro da proposta da CNTC – Campanha Nacional Contra a Tuberculose.
A instituição ficou ao encargo da Irmandade das Pequenas Missionárias de Maria Imaculada, que aqui ficaram por 22 anos e ao encerrarem suas atividades em 1982, informaram que até aquela data por ali tinham passado 18.961 pacientes.
Encerradas suas atividades, o prédio fiou fechado por um tempo e depois de várias lutas de políticos locais, o Governo do Estado cedeu a obra à Fundação Padre Albino, que instalou o Hospital Escola Emílio Carlos, vinculado a Faculdade de Medicina e Enfermagem.
Hospital Psiquiátrico Espírita Mahatma Gandhi
Sempre se teve a ideia de criar na cidade um hospital psiquiátrico, fato este que foi tomando corpo no dia 27 de abril de 1968, após uma palestra na sede da Associação Espírita Amor e Caridade, aqui em Catanduva, com a presença do Dr. Elpídio de Almeida Campos, da cidade de Ribeirão Preto – SP, sobre o tratamento e as características da doença mental.
Essa palestra motivou os integrantes da associação, que a partir daquela data começaram a levantar fundos para a construção do hospital, contando com a doação do terreno por parte do benemérito Benedito Zancaner, sempre preocupado em ajudar os menos favorecidos.
Empossados da grande caridade pregada pelo Espiritismo, foram dando movimento à obra.
A pedra fundamental foi lançada em 14 de dezembro de 1968, um sábado de manhã, e teve a presença do então prefeito Antônio Borelli, que colaborou com o serviço de terraplenagem, além da presença de Padre Albino, Benedito Zancaner, Dr. Elpídio de Almeida Campos, entre outros.
O hospital foi erguido através de doações da comunidade, contando com ajuda do Governo do Estado. A obra foi inaugurada no dia 25 de novembro de 1972 e funciona até os dias de hoje.
Policlínica Nossa Senhora Aparecida
Em 1962, a Policlínica Nossa Senhora Aparecida foi fundada por iniciativa particular de dois médicos catanduvenses – o Dr. Manoel dos Santos Quelhas e o Dr. Alberto Lahós de Carvalho.
A clínica, de início, funcionava na rua Pernambuco Nº 430, bem localizada e equipada, além de possuir corpo clínico extremamente competente.
Em maio de 1975, os integrantes desta clínica tiveram o desejo de aumentar o campo de atuação da clínica, com a ideia de se fundar um hospital particular que atendesse às necessidades médicas de Catanduva e região.
Era um sonho difícil, árduo, e coincidiu com uma época em que as instituições de saúde locais estavam passando por problemas financeiros: a Casa de Saúde Dr. Smith havia acabado de encerrar suas atividades e o próprio Hospital Padre Albino enfrentava uma grave crise financeira.
Mesmo assim, conseguindo um empréstimo da Caixa, os idealistas iniciaram a construção do Hospital em 1977 e o inauguraram em 09 de fevereiro de 1980 com o nome de Hospital São Domingos.
O referido hospital sempre atendeu seus pacientes com os melhores equipamentos, além de conter profissionais capacitados. Em anos passados, o hospital cedeu alguns de seus leitos ao sistema SUS, claro que dentro do possível.
Conclusão
Como qualquer outro tema, esse assunto não se esgota apenas em duas matérias, mas pode ser problematizado e mais aprofundado por aqueles que se interessem.
Citei nas matérias as instituições de maiores vultos que a cidade já teve, obras de grandes relevâncias em nossa cidade.
Destacamos ainda o trabalho realizado por vários prefeitos municipais no que diz respeito à construção de postos de saúde nos mais diversos bairros da cidade, prestando um serviço médico, assistencial e odontológico.
Além disso, devemos citar o próprio SAMU – Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, responsável para atender os casos urgentes de nossa cidade.
Fonte de Pesquisa:
- Acervo do Centro Cultural e Histórico Padre Albino
Errata: Em matéria da semana passada, foi citado que a Casa de Saúde Dr. Smith se localizava na esquina da Praça da República. Na verdade, ela se encontrava na esquina da Praça 9 de Julho. Sobre a mudança de nome da Santa Casa de Misericórdia para Hospital Padre Albino, foi informado que este se deu em 1968, mas na verdade desde 1926 a instituição já levava o nome de Hospital Padre Albino.
Foto: Funcionários do SAMDU – Serviço de Assistência Médica Domiciliar de Urgência no ano de 1961 ao lado de sua 1ª ambulância. O serviço, do Governo Federal, funcionou na cidade de 1960 a 1967 na rua Pernambuco, entre as ruas Maranhão e Treze de Maio
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