Instituições de Saúde em Catanduva (I)
Hoje vou retratar um pouco sobre as instituições de saúde que existiram em Catanduva desde sua fundação e que serviram para atendimento de muitas pessoas de nossa cidade e região. Algumas delas, ainda existem; outras, porém, somente vivem na memória de algumas pessoas.
Em seus primórdios, Vila Adolfo, como era chamada Catanduva antes de ser emancipada, apresentava situações precárias em vários setores.
Nesse primeiro contexto, a vila possuía poucas residências, o comércio estava nascendo, o que obrigava os moradores a buscarem muitos produtos de suas necessidades em cidades vizinhas da região.
Eram muitas as dificuldades de comunicação, transporte e principalmente de saúde, já que a cidade era castigada pela maleita, mais conhecida como malária, que sempre se apresentava como forma de epidemia.
Nessa época, a população não contava com nenhuma instituição de saúde ou socorro médico local, tendo que ir, quando possível, aos municípios de Jaboticabal ou São José do Rio Preto.
Em 1910, com a instalação da Estrada de Ferro, algumas mudanças começaram a ocorrer na cidade, até pelo aumento do número expressivo de novos moradores, inclusive famílias de imigrantes italianos e espanhóis.
Transformações
Nos anos seguintes, é visível a mudança estrutural do município. Na década de 1930, a cidade organizava-se, sobretudo, a partir da produção de café e cereais.
Nesse mesmo período, de estruturação administrativa e espacial, permitida principalmente pelo café, Catanduva pôde contar com o trabalho de cerca de 20 médicos, 10 cirurgiões dentistas e vários farmacêuticos. Em 09 de julho de 1937, a cidade continha 12 farmácias, 25 dentistas, 26 médicos, 02 parteiras, 01 hospital, 02 casas de saúde e 04 jornais. Sobre as instituições de saúde, é possível encontrar muitas farmácias, algumas clínicas odontológicas e médicas, e por fim, hospitais.
Os jornais sempre divulgavam a presença e a importância social das instituições médicas e dos profissionais da saúde, num momento de grande construção do que era ser “moderno”, com grande tendência normatizadora, ou seja, de se mostrar que a medicina legal e “limpa” é a que deveria ser procurada pela população, já que esta ainda tinha o hábito de procurar curandeiros e benzedeiros, além das parteiras, que, gradativamente, foi deixando de exercer seus trabalhos em função dessa grande propaganda.
Casa de Saúde Dr. Záccaro
Aqui na cidade, a primeira instituição médica que existiu foi a Casa de Saúde Dr. Záccaro, inaugurada no ano de 1924, e por muito tempo foi o único hospital da cidade e região, o que desobrigava a população de Catanduva ter de se dirigir para outras cidades em busca de socorro clínico.
É interessante perceber que com a chegada de imigrantes em nossa cidade, principalmente italianos e espanhóis, se deu a entrada de algumas pessoas formadas na Europa nos mais diversos campos, inclusive na Medicina.
A própria Casa de Saúde Dr. Záccaro demonstra bem essa relação, já que ele era um médico italiano que se estabeleceu aqui em Catanduva.
Quando chegou aqui na cidade, o médico percebeu a necessidade que a população tinha com tratamento médico, já que não possuía nenhuma instituição de saúde. Vendo que o transporte para cidades vizinhas também era precário, teve a ideia de se construir uma casa de saúde local, o que acabou fazendo e tendo grande sucesso, mesmo sendo um hospital particular.
O prédio funcionava na esquina da rua Goiás com Espírito Santo, no bairro do Higienópolis e funcionou até meados dos anos de 1980.
Visando uma melhor conduta dos estabelecimentos e dos profissionais de saúde, a prefeitura municipal, ao longo dos anos, foi implantando fiscalização e algumas normas de conduta para que estas instituições pudessem continuar funcionando.
Dentre as medidas, pode-se citar instalação de rede de esgoto e água encanada, bem como a contratação de profissionais responsáveis pela fiscalização dos estabelecimentos de saúde.
A Santa Casa de Misericórdia
Dois anos depois da instalação da primeira casa de saúde, passou a funcionar em Catanduva a Santa Casa de Misericórdia, em outubro de 1926, que contou com grande trabalho de Padre Albino.
Como seria pesada a responsabilidade de administrar a Santa Casa por uma só pessoa, foi criada a Associação Beneficente de Catanduva, onde Padre Albino, juntamente com homens de sua confiança e pessoas da comunidade interessadas em participar, sem nenhum ganho monetário, tomava conta dos trabalhos. No dia 04 de dezembro de 1967, a associação se transformou na Fundação Padre Albino, que atua na cidade até os dias atuais.
Na Santa Casa de Misericórdia havia uma enfermaria masculina com 38 leitos, uma feminina com 42 leitos e outra de crianças, com 60 leitos, além de dois grandes salões, onde a população de baixa renda tinha atendimento garantido, já que pacientes de toda a região vinham buscar recuperação nessa instituição. O Padre Albino se interessava pelo atendimento de todos, independente de sua condição social, econômica ou religiosa e chegava a exigir internação, mesmo que não houvesse mais vagas.
Em 1968, a Santa Casa de Misericórdia teve sua nomenclatura mudada para Hospital Padre Albino e até hoje atende pacientes de Catanduva e região, com ótimas instalações e profissionais de renome.
Casa de Saúde Dr. Smith
A partir de 1939, ano de início da Segunda Guerra Mundial, começa-se a ser construído mais um estabelecimento de saúde em nossa cidade, a Casa de Saúde Dr. Smith, outra instituição particular de um médico que tinha se mudado para Catanduva, inaugurada em 1941.
Seu primeiro funcionamento se deu no prédio que se localiza na esquina da Praça da República, abrangendo as ruas Recife com Pará, antiga residência de Fuad Bauab. Tempos mais tarde, quando se construiu um hospital, houve a transferência para a esquina das ruas Bahia com Amazonas.
Vale destacar que nesse período, mesmo com dois hospitais funcionando na cidade (A Casa de Saúde Dr. Záccaro e a Santa Casa de Misericórdia) o número de pessoas da região que vinham para a cidade de Catanduva em busca de tratamento era muito grande, pois a cidade foi se transformando num pólo de saber médico respeitado, com grande reconhecimento médico na região. Dessa maneira, não faltariam pessoas para atenderem nas instituições.
Esse foi um fator importante no sucesso da instalação da Casa de Saúde Dr. José Smith, já que a procura da população era muito grande.
Fonte de Pesquisa:
- “Instituições de Saúde em Catanduva: uma abordagem histórica”, de Renata Fabiana Sanches.
- Material pesquisado no acervo do Centro Cultural e Histórico Padre Albino
Foto: tirada em frente a Santa Casa de Misericórdia, em 1950. Na foto encontramos da esquerda para a direita, começando de baixo para cima: Dr. José Maria Coura, Ricardo Lunardelli, Bispo Dom Lafayette Libânio, Padre Albino, José Olímpio Gonçalves e Dr. Renato Bueno Netto; Doutores José Rocha, Joaquim Fagundes, Antonio Barba, Alberto Cunha e Silva e Vicente Bucchianeri Irmãs Mercês, Ildefonsa, Reginalda, Maurícia e Rosa Maria; Irmãs Laura, Bárbara, Francisca e Clemência
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