Hantavírus em 2026: um alerta que exige atenção

Nos últimos meses, o Hantavírus voltou às manchetes após casos confirmados em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul, além de um surto inédito em um navio de cruzeiro. Embora seja uma doença rara, sua letalidade é alta. Em 2026, a informação correta e a prevenção continuam sendo nossas melhores defesas.

A doença costuma começar como uma virose comum. Nos primeiros dias, o paciente apresenta febre alta, dor de cabeça e dores fortes no corpo, principalmente nas coxas e costas. O problema é que, entre o quarto e o sétimo dia, o quadro pode evoluir rapidamente para uma falta de ar grave. Isso acontece porque os pulmões passam a acumular líquido devido a uma intensa inflamação. Sem atendimento imediato, o risco de morte é elevado.

O vírus vive na urina, fezes e saliva de roedores silvestres. Quando esses resíduos secam, o vírus pode se misturar à poeira. Ao varrer ou limpar um ambiente fechado, essa poeira é levantada e acaba sendo inalada.

Em 2026, a identificação de variantes específicas, como a cepa Andes, reforçou ainda mais a necessidade de atenção, já que existem registros de transmissão entre pessoas. Por isso, sintomas respiratórios após exposição a locais de risco devem ser levados a sério.

Ao limpar galpões, porões, depósitos ou qualquer ambiente fechado por muito tempo, alguns cuidados são fundamentais. O primeiro passo é abrir portas e janelas e deixar o local ventilando por pelo menos 30 a 60 minutos antes da limpeza. Também é importante nunca varrer a seco ou utilizar aspiradores comuns em locais com sinais de ratos, já que isso espalha partículas contaminadas no ar. O ideal é umedecer superfícies e chão com solução de água e água sanitária antes de iniciar a limpeza. Máscaras simples ou de pano não oferecem proteção adequada. Em situações de risco, recomenda-se o uso de máscaras N95 ou PFF2.

A confirmação do diagnóstico pode ser feita por exames que detectam diretamente o vírus, como o RT-PCR, ou por sorologia. Ainda não existe vacina ou antiviral específico contra a doença. O tratamento é realizado em unidades de terapia intensiva para suporte respiratório e cardiovascular. Tecnologias como a ECMO, conhecida como pulmão artificial, têm aumentado significativamente as chances de sobrevivência quando o diagnóstico acontece precocemente.

O alerta deve ser ainda maior quando sintomas gripais aparecem após permanência em áreas rurais ou locais fechados nos últimos 60 dias. Informar esse histórico ao médico pode ser decisivo para um diagnóstico rápido e para salvar vidas.

Maria Gabriela de Lucca Oliveira

Patologista Clínica do Ultra-X

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Artigos de colaboradores e leitores de O Regional.