Guerra dos Streamings: Paramount faz oferta hostil pela Warner

Em uma reviravolta dramática no cenário de fusões e aquisições de Hollywood, a Paramount Skydance lançou uma oferta hostil de 108,4 bilhões de dólares pela totalidade da Warner Bros. Discovery. A ousada jogada acontece dias depois do estúdio ter anunciado um acordo com a Netflix pela venda de parte de seus ativos, intensificando a disputa pelo controle de um dos maiores e mais valiosos catálogos de propriedade intelectual do mundo.

A oferta da Paramount, totalmente em dinheiro e avaliada em 30 dólares por ação, passa por cima dos controladores da empresa e visa levar o caso diretamente aos acionistas, ignorando a aprovação inicial do conselho, que havia optado pela proposta da Netflix.

Em seus antecedentes, a chamada Guerra dos Streamings começou como uma disputa das empresas pelos assinantes, envolvendo da pioneira Netflix a outros players do ramo, como a Disney +, Apple TV +, HBO Max (Warner), Discovery, Paramount, Hulu e dezenas de outros menores. Aos poucos, com uma série de fusões e aquisições, o difícil mercado que emergiu após a pandemia, foi se afunilando. Com a recente compra da HBO Max pela Netflix, esta teria o controle de praticamente metade do mercado americano de streaming, algo muito próximo de um cartel. 

A batalha pela Warner Bros. Discovery é o clímax de uma prolongada guerra de lances que envolveu gigantes do entretenimento e da tecnologia. A Paramount, apoiada pela família Ellison (fundadora da Oracle) e por fundos soberanos do Oriente Médio, vinha tentando adquirir a WBD há meses, de forma bem .

A Paramount/Skydance submeteu múltiplas ofertas (seis nos últimos meses) que foram todas rejeitadas pelo conselho da WBD. Até que, finalmente, na semana passada, a Netflix emergiu como vencedora, fechando um acordo de exclusividade com a WBD. A proposta da Netflix, avaliada em cerca de 82,7 bilhões de dólares, foca nos estúdios de cinema, televisão e ativos de streaming (HBO Max), excluindo as redes de TV a cabo tradicionais da Warner, como CNN, TBS e TNT. A WBD planejava separar esses ativos remanescentes em uma nova empresa, expondo os acionistas a um valor de mercado incerto e altamente alavancado, quando a Paramount foi ao contra-ataque com uma proposta maior pela totalidade da empresa. Lembrando que, a proposta da Netflix, além de ainda ter de passar pelos órgãos fiscalizadores de fusões de vários países, não tem a simpatia do governo Trump, já que a Paramount foi um dos seus maiores apoiadores na eleição.

A Warner-Discovery, no entanto, expressou preocupações com o financiamento da proposta da Paramount, especialmente com a participação de investidores do Oriente Médio, antes de aceitar a oferta da Netflix.

A oferta hostil da Paramount/Skydance é uma tentativa de última hora para invalidar o acordo com a Netflix, argumentando que sua proposta é superior. Essa “aquisição hostil”, se levado a efeito, joga a disputa em uma nova fase de incerteza e pode ter ramificações profundas para o setor de mídia global. Tanto a proposta da Netflix quanto a da Paramount enfrentam um intenso escrutínio regulatório e oposição dos profissionais da indústria do cinema que se vê diante de um futuro incerto. Os distribuidores temem janelas de lançamento cada vez menores nos cinemas e nos streamings, o que levaria parte do público e preferir ver os filmes nos canais do que nos cinemas.  

Não é apenas o controle de Superman, Batman, Harry Potter e todo o imenso acervo da Warner que está em jogo, mas sim o jeito tradicional de fazer cinema desde o século passado. O próximo capítulo desta saga bilionária dependerá da resposta dos acionistas da WBD e, especialmente, do crivo dos reguladores globais, um processo que pode se estender por muitos meses.

Autor

Sid Castro
É escritor e colunista de O Regional.