Filmes de Terror nos Cinemas [02.06.26]
Hokum: O pesadelo da bruxa
Estamos em uma boa temporada de filmes de horror que vem levando muita gente para as salas de cinema. Somente em maio estrearam no Brasil sete do gênero: “Exit 8”, “Dolly – A boneca maldita”, “Love kills” (este brasileiro), “Passageiro do mal”, “Obsessão”, “Backrooms: Um não-lugar” e “Hokum”. Os três últimos assisti numa tacada, no último fim de semana, e gostei. Vamos para “Hokum”, um baita terror atmosférico com um personagem só, trancado em uma pousada mal-assombrada. Nesse folk horror inspirado em uma lenda urbana irlandesa, o ator Adam Scott (de “Krampus: O terror do natal”) interpreta Ohm Bauman, um escritor de livros de aventura conhecido, mas egocêntrico, que viaja para o interior da Irlanda com o objetivo de cumprir o último desejo dos pais falecidos recentemente: espalhar as cinzas deles no local onde se conheceram, uma floresta de sequoias. Ele também está lá para terminar seu próximo livro, portanto se hospeda por alguns dias em uma antiga pousada. Escuta de duas pessoas histórias funestas sobre o lugar, de que num dos quartos nupciais uma bruxa foi aprisionada. O cômodo é mantido em segredo, isolado por portas maciças reforçadas com cadeados. Inicialmente ele não dá bola para o caso, mas quando uma funcionária do hotel, com quem ele conversava, desaparece, Bauman resolve explorar os cantos da misteriosa pousada. O escritor não imagina no que está se metendo, até se enfurnar em um pesadelo interminável. O filme é assustador, conduzindo o espectador por uma narrativa de luto, segredos e forças sobrenaturais, com momentos de angústia e sustos de pular da cadeira. O longa anterior do cineasta Damian McCarthy, “Oddity: Objetos obscuros” (2024), mexia com temas parecidos (como isolamento, figuras míticas amaldiçoadas, resolução de crimes do passado), e agora reúne tudo isso em um terror mais explícito e de ambiguidades (aqueles dias de terror são reais ou está na mente do protagonista?). A figura da bruxa aparece nas penumbras, o que gera dúvidas e mais medo no espectador, sendo uma metáfora inevitável da morte. O roteiro tem uma boa construção, com um desfecho regular e cenas bem fotografadas de ambientes escuros (que provocam a tensão necessária para esse tipo de filme). Está nos cinemas pela Diamond Films.
Obsessão
Filme de terror do momento, que está na boca do público jovem, vem lotando sessões nas salas de exibição e causando uma série de sentimentos controversos – eu, por exemplo, fiquei baqueado, pois aquilo tudo mexeu comigo, já que é um filme de pura tensão psicológica que causa mal-estar. Realizado em 2025 por um cineasta independente desconhecido, Curry Barker (que o escreveu e dirigiu), o filme foi exibido no Festival de Toronto e, após um ano, entrou no circuito mundial, incluindo no Brasil, com distribuição da Universal Pictures. É um terror psicológico inquietante, com roteiro original trazendo jumpscares eficazes, assustadores, que faz com que até desviemos o olhar nas cenas em que sabemos que o horror explodirá na tela. Um aparente romance juvenil vira um pesadelo sobrenatural de raízes profundas. O enredo acompanha Bear (Michael Johnston), um rapaz solitário, que procura um novo amor após o término com a namorada. Um dia, em uma loja de souvenirs, compra um brinquedo misterioso chamado One Wish Willow (Salgueiro da Sorte), capaz de realizar um único desejo. Ao pedir para ser amado por sua melhor amiga de infância, Nikki (Inde Navarrette), ele vê seu sonho se concretizar de forma imediata. Eles iniciam um romance descomunal, só que o amor de Nikki se converte em obsessão. O comportamento de Nikki oscila, como se fosse duas pessoas diferentes: a garota cuidadosa, afetiva, vira em poucos segundos uma pessoa histérica, amarga, capaz de loucuras para ter o namorado por perto. Bear descobre que o desejo escolhido terá um preço sombrio e irreversível. A premissa, aparentemente simples, é engenhosa, dando ao filme uma originalidade rara no gênero, que explora os limites entre desejo, paixão e destruição. Há momentos tensos que deixarão o público de cabelo em pé, tamanho o clima sombrio que o diretor conseguiu instaurar. O roteiro mescla drama íntimo com terror sobrenatural, sem recorrer a clichês, e tudo muito pessimista, incluindo o desfecho arrasador. O filme é de puro clima de paranoia, perseguição, loucura e claustrofobia, com tensão crescente – prepare o coração, já adianto. Há toda uma discussão crítica sobre os relacionamentos sufocantes, principalmente os da atualidade, dos tempos das redes sociais, fugazes e passageiros, que corroem o casal; de um lado, um jovem inseguro que necessita ser amado a qualquer custo, e de outro, uma garota consumida pela necessidade de ter o namorado por perto, não o deixando sair sozinho, nem falar com os amigos. Michael Johnston e Inde Navarrette entregam personagens difíceis de interpretar, dando um show de performance. Eu curti o filme, um dos melhores de terror do ano. Assista, se possível, no escurinho do cinema (para quem gosta de levar sustos) e preste atenção em todos os detalhes.
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