Festival de Berlim faz 75 anos; edição de 2026 terá Wim Wenders como presidente do júri
Neste ano de 2025, um dos festivais de cinema mais conhecidos do mundo completou sete décadas e meia de existência. Realizado em fevereiro na capital alemã, o Festival Internacional de Cinema de Berlim, também conhecido por Berlinale, é uma vitrine para os principais filmes da temporada, com première de produções do mundo inteiro. Lá são exibidos longas e curtas-metragens independentes e também de alto orçamento.
Fundado em 1951 e por quase 30 anos realizado no mês de junho, o Festival de Berlim integra, junto aos de Cannes e Veneza, a lista dos mais reconhecidos festivais de cinema da Europa, atraindo milhares de visitantes e cinéfilos em suas edições. A média é de 400 títulos por ano, exibidos em diversos espaços culturais e salas de cinema de Berlim, a maior parte nos arredores de Potsdamer Platz, praça estratégica do centro comercial da capital, composta por shoppings, cinemas e lojas. As exibições estão distribuídas em seções especiais, como a Competição Principal (em que se disputa o principal prêmio do festival, o Urso de Ouro), o Panorama, o Forum, o Generation (para jovens), as Perspectives, o Berlinale Special, o Berlinale Shorts e o Berlinale Classics (com longas restaurados e tributos).
Os principais troféus, o Urso de Ouro e os Ursos de Prata, são concedidos pelo júri internacional, costumeiramente presidido por nomes renomados do cinema. O Urso de Ouro é dado a um filme considerado o melhor daquele ano – tanto longa quanto curta-metragem, enquanto o Urso de Prata engloba diversas categoriais e subcategorias, como o ‘Prêmio Especial do Júri’ (‘Grand Prix’), apontado como o ‘segundo melhor filme do festival’, e ainda os de melhor diretor, melhor ator, melhor atriz, melhor roteiro, melhor curta-metragem e melhor contribuição artística. A estatueta em formato de urso foi concebida pela escultora alemã Renée Sintenis.
Há ainda no evento o Berlinale Talents, uma programação com palestras e workshops realizada ao longo de uma semana, voltado a jovens cineastas.
A próxima edição do festival está marcada entre os dias 12 e 22 de fevereiro de 2026, e a programação completa deve ser divulgada em breve. A organização do Berlinale anunciou na última semana as primeiras informações da edição de 2026. A atriz malaia-chinesa Michelle Yeoh será a grande homenageada da 76ª edição do festival, onde receberá o Urso de Ouro honorário. Segundo os organizadores do Berlinale, o prêmio a Michelle se deve pela sua dedicação de mais de 40 anos à Sétima Arte e por ser uma atriz versátil e grande influente de sua geração. Outra novidade anunciada: o diretor de cinema alemão Wim Wenders presidirá o júri internacional.
A História do Festival
O Festival de Berlim surgiu durante a Guerra Fria, pensado por Oscar Martay, um diretor de cinema russo, que atuava na Divisão de Serviço de Informação do Alto Comissariado Americano para a Alemanha, que utilizou sua influência para financiar o evento cinematográfico. Em 1950 ele angariou fundos americanos para o festival, que teve sua primeira edição entre os dias 06 e 17 de junho de 1951 – nessa edição ele recebeu o Urso de Ouro pela contribuição e planejamento do evento. O filme de abertura da primeira edição foi ‘Rebecca – A mulher inesquecível (1940), de Alfred Hitchcock, com sessão no Titania-Palast em Steglitz, em 6 de junho de 1951, e o filme que ganhou o Urso de Ouro naquele ano foi ‘Cinderela’ (1950), da Disney. Enquanto o festival existiu durante a Guerra Fria, uma seleção de longas e curtas eram também exibidos, mas de forma exclusiva, na Berlim Oriental. O festival ganhou o mundo e se tornou um dos eventos mais potentes da área.
Desde 2000 o palco central de exibições e recepção de convidados é o Theatre am Potsdamer Platz, conhecido como ‘Berlinale Palast’. A produtora de cinema Mariette Rissenbeek ocupa o cargo de diretora executiva do festival desde 2019, ao lado do diretor artístico Carlo Chatrian – ela é a primeira mulher a liderar a Berlinale.
Durante a pandemia da Covid-19, houve duas edições encurtadas do festival, nos anos de 2021 e 2022, só se restabelecendo a partir de 2023 – fato que ocorreu na maioria dos festivais de cinema ao redor do mundo. As edições de 2023, 2024 e 2025 reuniram o maior número de filmes inscritos, o maior de exibições públicas e o maior público, demonstrando a força dos festivais de cinema.
O Brasil na Berlinale
O Brasil já ganhou prêmios em Berlim, além de inúmeras obras indicadas e outras tantas exibidas nas seções especiais do festival. O primeiro Urso de Ouro veio em 1998, com ‘Central do Brasil’, de Walter Salles, que levou ainda os prêmios de melhor atriz (Urso de Prata para Fernanda Montenegro, que naquele ano seria indicada ao Oscar) e o prêmio do júri ecumênico. Dez anos depois, em 2008, ‘Tropa de Elite’ (2007), de José Padilha, envolvido em uma série de polêmicas e dividindo a opinião do júri, recebeu o Urso de Ouro, sendo assim o segundo Urso do Brasil.
Já o Urso de Prata foi entregue em três momentos – em 1986, quando a atriz Marcélia Cartaxo o ganhou por ‘A hora da estrela’, de Suzana Amaral; em 1987 quando Ana Beatriz Nogueira levou pelo filme ‘Vera’, de Sergio Toledo; e em 1998 com Fernanda Montenegro por ‘Central do Brasil’.
Brasil também recebeu quatro estatuetas na categoria ‘Grand Prix’: em 1964 por ‘Os fuzis’, de Ruy Guerra; em 1969 por ‘Brasil Ano 2000’, de Walter Lima Jr; em 1978 por ‘A queda’, de Ruy Guerra e Nelson Xavier; e em 2025 por ‘O último azul’, de Gabriel Mascaro.
Da primeira edição até a de 2025 o país concorreu 31 vezes ao Urso de Ouro, com filmes de repercussão lá fora, como ‘Sinhá Moça’, ‘O padre e a moça’, ‘Toda nudez será castigada’, ‘Pra frente Brasil’, ‘O que é isso, companheiro?’ e ‘O ano em que meus pais saíram de férias’.
A edição de 2025
Realizado entre os dias 13 e 23 de fevereiro de 2025, a 75ª edição do festival teve como presidente do júri o cineasta Todd Haynes. Nessa edição comemorativa, a atriz Tilda Swinton recebeu o Urso de Ouro honorário. Estiveram na competição os filmes "Ari", de Léonor Serraille; "Blue Moon", de Richard Linklater; "La Cache", de Lionel Baier; "Sonhos", de Michel Franco; "Dreams (Sex, Love)", de Dag Johan Haugerud; "O que a Natureza te Conta", de Hong Sang-soo; "Hot Milk", de Rebecca Lenkiewicz; "Se eu Tivesse Pernas Eu te Chutaria", de Mary Bronstein; "Kontinental ’25", de Radu Jude; "El mensaje", de Iván Fund; "Mother’s Baby", de Johanna Moder; "O Último Azul", de Gabriel Mascaro; "O Brilho do Diamante Secreto", de Hélène Cattet e Bruno Forzani; "Living the Land", de Huo Meng; "Timestamp", de Kateryna Gornostai; "The Ice Tower", de Lucile Hadžihalilović; "What Marielle Knows", de Frédéric Hambalek; "Girls on Wire", de Vivian Qu; e "Yunan", de Ameer Fakher Eldin.
Créditos das fotos - Berlinale (site e assessoria, em https://www.berlinale.de/en/home.html)
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