Feminicídio: pauta urgente no Dia Internacional da Mulher

É com pesar que reconhecemos que, mesmo diante da implementação da Lei Maria da Penha e de outras medidas legislativas e políticas voltadas à proteção dos direitos das mulheres, o feminicídio ainda persiste em nossa sociedade, como recentemente testemunhamos em nossa própria comunidade. Este fato é profundamente lamentável e um lembrete doloroso de que ainda há muito trabalho a ser feito para erradicar a violência de gênero e garantir a segurança e o bem-estar das mulheres.

O feminicídio é um dos crimes mais chocantes por ser perpetrado por parceiros íntimos ou ex-parceiros, em um contexto de controle, possessividade e desigualdade de poder nas relações interpessoais.

A Lei Maria da Penha, promulgada no Brasil em 2006, representa um avanço importante na luta contra a violência doméstica e familiar, proporcionando medidas de proteção às mulheres em situação de violência e estabelecendo punições mais severas para os agressores. No entanto, sua implementação efetiva e o fortalecimento de políticas públicas integradas são fundamentais para combater a cultura de violência e prevenir casos de feminicídio.

É importante reconhecer que o feminicídio não é apenas um problema individual, mas sim um reflexo de estruturas sociais profundamente enraizadas que perpetuam a desigualdade de gênero e toleram a violência contra as mulheres. Portanto, é necessário um esforço coletivo e abrangente que envolva a conscientização, a educação, a mudança cultural e a responsabilização dos perpetradores para abordar as causas subjacentes da violência de gênero e prevenir casos de feminicídio.

Além disso, é fundamental que a sociedade como um todo se uma em solidariedade às vítimas de feminicídio e suas famílias, promovendo a conscientização sobre a gravidade desse crime e exigindo ações concretas por parte das autoridades para garantir justiça e proteção às mulheres em situação de violência.

Enquanto continuamos a celebrar o Dia Internacional da Mulher como um momento de reconhecimento das conquistas das mulheres também devemos reafirmar nosso compromisso em enfrentar e erradicar a violência contra mulheres em todas as suas formas, incluindo o feminicídio.

Autor

Ivete Marques de Oliveira
Psicóloga clínica, pós-graduada em Terapia Cognitivo Comportamental pela Famerp