Feminicídio, Estado e omissão: a urgência de recolocar o humano no centro
Eu não estou escrevendo sobre direito.
Estou escrevendo sobre amor, fraternidade, solidariedade e acolhimento — sobre o ser humano no sentido mais amplo do conceito. Sobre aquilo que transforma vidas em cidadania, que deveria ser o principal objetivo do município, estado ou país.
A um Estado que deveria ensinar, desde cedo, nas escolas, que o valor de uma pessoa não está apenas no “vencer”, no “ganhar”, no “dar-se bem na vida”, mas nos princípios que o dinheiro jamais comprará.
A escola pública, infelizmente, foi sendo empurrada para uma lógica estreita de empreendedorismo do lucro, como se a velha frase “menino, estude para se dar bem na vida” fosse suficiente para formar caráter. E nessa corrida cega, esquecemos de ensinar aquilo que realmente sustenta uma sociedade justa: respeito, empatia, limites, cuidado, dignidade.
Um dos piores resultados está diante de nós: uma violência absurda contra as mulheres. Feminicídio que não nasce do nada — nasce do exemplo.
Meninos aprendem, pela convivência com seus pais, a violência contra as mulheres.
Meninas aprendem, ao assistir à dor da mãe, como devem se comportar.
E a educação, muitas vezes, mostra-se incapaz de ensinar o processo de libertação da violência.
E a roda viva gira em alta rotação, produzindo cada vez mais homens violentos, cruéis, covardes. Homens que matam mães, esposas e companheiras por motivos torpes, deixando crianças órfãs em silêncio, traumatizadas e desamparadas no sentido amplo da palavra, deixando a cidadania cada vez mais longe das escolas, das empresas e das classes mais abastadas.
E o que fazem os poderes constituídos?
Assistem. Se calam.
Pior: permanecem inertes, paralisados, dando de ombros como se fosse algo normal, como se não houvesse uma multidão de crianças órfãs de mãe e de pai emocional — vítimas diretas da negligência de um Estado que prefere a velha política de pão e circo à defesa da vida.
Parece que a sociedade civil organizada é quem deve, sozinha, resolver o problema de crianças abandonadas pelo sistema. Parece que cuidar da família, proteger crianças e garantir segurança às pessoas não estivesse escrito na Constituição Federal — quando está. Claramente.
Por isso, repito com força:
Basta de violência contra as mulheres.
Basta de ataques à família.
Basta de feminicídio.
Basta de uma educação pública que falha no que é essencial: formar seres humanos.
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