Feminicídio em Catanduva e a urgência nacional

A notícia da morte brutal de uma mulher de 42 anos na madrugada desta quinta-feira, 5 de março, nos predinhos do Residencial Esplanada, em Catanduva, é um grito de alarme que não pode ser silenciado pela rotina ou pela proximidade de datas comemorativas. Encontrada com ferimentos graves na face, a vítima se soma à estatística sombria e crescente de feminicídios que assola o país. Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, a dor deste caso específico torna-se um espelho cruel da violência estrutural que insiste em ceifar vidas femininas. Este não é um evento isolado; é um sintoma de uma doença social profunda. O aumento dos casos de violência contra a mulher, que se manifesta em agressões físicas, psicológicas e, no seu ápice, no assassinato, exige uma abordagem que vá além da mera resposta policial. Quando uma mulher é morta por ser mulher, é a sociedade inteira que falha em protegê-la. A tragédia em Catanduva, como tantas outras, revela a falha sistêmica em interromper o ciclo da violência antes que ele se torne irreversível. A testemunha que acionou a PM é um elo de esperança, mas a prevenção exige mais do que reações a emergências. É preciso insistência na educação de gênero desde a infância, no fortalecimento de redes de apoio psicossocial e na garantia de que as medidas protetivas sejam rigorosamente aplicadas. O Dia Internacional da Mulher, que se aproxima, não deve ser apenas um dia de celebração das conquistas, mas, sobretudo, um dia de luto ativo e de renovação do compromisso intransigente contra o feminicídio. A vida da mulher assassinada em Catanduva clama por uma mudança cultural radical. Enquanto a nossa resposta for apenas de consternação momentânea, e não de ação contínua e multifacetada, continuaremos a chorar por vítimas que poderiam ter sido salvas. A segurança e a vida das mulheres devem ser a prioridade absoluta de todos os dias do ano.

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Da Redação
Direto da redação do Jornal O Regional.