Famílias de um incipiente povoado

Muito se fala dos fundadores de Catanduva, de suas origens e de todas aquelas maneiras de ocupação, sempre dando destaque para os grandes nomes. 

Claro que é impossível deixar de lado a importância desses grandes homens para o desenvolvimento de nossa cidade, mas também não podemos nos esquecer que o nascimento e a continuidade de nossa terra se deram por vários fatores, contando muito com o apoio dos primeiros moradores que estiveram em terras catanduvenses desde o início de nossa formação. 

Dessa maneira, hoje vou retratar duas famílias muito antigas de nossa cidade, e que também tiveram grande participação no crescimento e desenvolvimento de nossa cidade.  

Spanazzi 

A família Spanazzi foi uma das primeiras que iniciaram o desbravamento do povoado de São Domingos do Cerradinho, que posteriormente, em 1918, se transformou em Catanduva. 

Uma das grandes figuras desta família foi o Sr. Henrique Spanazzi, que aportou em nossas terras com apenas quatro anos de idade, no ano de 1907, juntamente com seus pais, João Spanazzi e Adalgisa Prandi Spanazzi. 

Em entrevista relatada para a Revista Feiticeira, de março de 1977, o Sr. Henrique Spanazzi contou que “(...) naquele longínquo 20 de janeiro de 1907, São Domingos do Cerradinho era um vilarejo, com meia dúzia de casas de pau-a-pique, e um bocado de gente confiante no futuro daquele pedaço de chão”. 

E foi naquele pedaço de chão que a família Spanazzi decidiu fixar residência naquele tempo. Chegaram com a mudança em cima de um carro de boi, trazendo na mala uma vontade imensa de trabalhar e crescer junto com a terra. 

A viagem durou vários dias, vindo da cidade de Jaboticabal, passando por Taiúva, Santo Antonio da Alegria (atual Pirangi) e Cordão Escuro (atual Palmares Paulista). Mesmo com as dificuldades que enfrentaram, a família não desistiu e acabou chegando em nossa cidade. 

O grande dirigente do carro-de-boi foi o saudoso cel. José Pedro da Motta. Veio ainda, nessa histórica viagem, o Sr. Pedro Celli, amigo desde o tempo da Itália e que se encontrava em Taiúva. 

Logo se instalaram na pequena comunidade, da qual já eram moradores Felipe Mouad, Jacob Sarti, donos de pequenos estabelecimentos e mais Luis Rossini, Francisco Carvalho e Antonio Joaquim. Além desses, haviam os grandes fazendeiros: os Rodrigues, os Felisbibos e o Quincas Barra Grande, além da grande figura, já muito conhecida e histórica, de nosso querido Domingos Borges, o Minguta. 

Aqui chegando, João Spanazzi tratou de montar uma olaria, a primeira de São Domingos de Cerradinho, dando-se início à construção de modestas casas de tijolo e telha para, posteriormente, vendê-las.  

João, além da olaria, montou uma oficina de ferreiro, já que era esta sua profissão. Três anos depois, também instalou uma máquina de beneficiar arroz no sistema de cilindro e que foi a pioneira da região. Também foi proprietário de um dos cinemas mais antigos da cidade. 

Sua morte, em 24 de agosto de 1922, veio encerrar prematuramente uma vida de realizações. Deixou lançadas as sementes de progresso, exemplo de um trabalho dinâmico e eficaz. 

 

Os Franzinis  

Outra família bem antiga de nosso município é a família Franzini, onde Ermínio Franzini chegou em nossas terras lá por volta de 1910. 

De origem italiana, Ermínio Franzini chegou por aqui juntamente com sua esposa Maria Joana Bergamo Franzini, além da companhia de sua irmã Titina Franzini e de mais uma irmã.  

A viagem para o nosso município foi penosa, sendo feita ora a cavalo ora a carro de boi, desde São Martinho, atraídos pelas oportunidades que essas terras estavam oferecendo naquela época. 

Sem ainda ter uma profissão definida, aqui chegando, Ermínio adquiriu uma carroça, sendo o primeiro carrinheiro a se movimentar nos arredores daquela que mais tarde seria Catanduva. Os caminhos percorridos pelo Sr. Ermínio não eram tão fáceis de acessar como são hoje em dia: naquele momento, o vilarejo ainda não possuía ruas, e a comunicação entre as pessoas era feita através de inúmeros trilhos que existiam no local. 

Logo de início, esta família localizou-se na parte alta da cidade, próximo onde se encontra o Hospital Padre Albino, onde só existia um grande matagal e alguns moradores iam ali em busca de lenha.  

Poucas eram as casas existentes naquele local nesse período, apenas quatro residências estavam erguidas naquele momento, sendo uma delas construída rusticamente, de pau a pique e parte de tijolos, pertencentes à Domingues Borges da Costa, o Minguta. 

Por ser uma das mais antigas da cidade, esta família presenciou vários fatos marcantes em nossa cidade, como por exemplo, a chegada de Padre Albino, que naquela época ficou hospedado na pensão de José Ribeiro da Silva, apelidado de Passarinho. Além disso, também presenciaram a chegada na cidade do primeiro automóvel, revolucionando a vila e trazendo os habitantes em grande agitação. O carro desceu a rua principal e única (hoje rua Brasil) de luz acesa, onde muita gente apenas conhecia luz de velas ou lampião. 

Dona Titina Franzini, que chegou em nossas terras juntos com seu irmão Ermínio, casou-se com José Ribeiro da Silva (Passarinho), e sempre foi elogiada pelos grandes dotes que possuía na cozinha. No ano de 1977, relatou para a Revista Feiticeira, que “(...) apesar de existir pouca gente na povoação, a vida era bem alegre e dançava-se muito, pois em qualquer lugar erguia-se a barraca e o baile estava formado, à luz de velas e lampiões”. 

 

Fonte de Pesquisa:  

 - Acervo do Centro Cultural e Histórico Padre Albino 

 

C:\Users\User\Documents\Matérias Jornal\04 - Abril 2010\1925 – Foto da Rua Brasil, quase esquina com a Rua Bahia. Vejam a cidade sem calçamento, os carros daquela época, os postes, as luminárias. Identificamos alguns nomes de lojas..bmp 

Foto datada de 1925 mostrando a rua Brasil quase esquina com rua Bahia. Percebemos ainda a cidade sem calçamento, o que, às vezes, dificultava o trânsito de automóveis 

 

C:\Users\User\Documents\Matérias Jornal\04 - Abril 2010\Casa de tijolos.jpg  

João Spanazzi foi quem construiu a primeira casa de tijolos em nossa cidade, prédio onde muito tempo abrigou a Farmácia Vaz, que se localizava na esquina das ruas Bahia com Pernambuco. Nessa foto, uma de suas primeiras construções (a casa do meio) 

 

C:\Users\User\Documents\Matérias Jornal\04 - Abril 2010\Franzini.jpg 

Ermínio Franzini chegou em nossa terra no ano de 1910, onde adquiriu uma carroça e se pôs a trabalhar