Falta dinheiro ou sensibilidade?

A sanção da Lei nº 18.398/2026 pelo governador Tarcísio de Freitas, autorizando o fornecimento de protetores auriculares para estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) na Rede Estadual, marca avanço na educação inclusiva de São Paulo. Essa medida reconhece uma necessidade neurobiológica: a redução da hipersensibilidade sonora, fator que frequentemente se torna uma barreira para o aprendizado de crianças e adolescentes autistas. Em contraste, o veto a um projeto de lei semelhante em Catanduva pelo prefeito Padre Osvaldo levanta um debate necessário sobre as prioridades na gestão pública. A questão central é se a recusa em implementar uma política de acessibilidade sensorial se deve a restrições orçamentárias ou a uma falta de sensibilidade para com as especificidades da neurodiversidade. Para um estudante com TEA, o ambiente escolar — com seus ruídos inesperados, conversas paralelas e o burburinho geral — pode ser avassalador, gerando estresse, crises sensoriais e, consequentemente, a exclusão do processo de ensino-aprendizagem. O protetor auricular não é um luxo, mas sim uma ferramenta de acessibilidade que permite ao cérebro focar no conteúdo pedagógico, e não na sobrecarga sensorial. É um facilitador de bem-estar e um catalisador para a inclusão efetiva. Se a motivação do veto for estritamente financeira, é preciso questionar a matriz de custos: o investimento na compra desses dispositivos é ínfimo quando comparado ao custo social e educacional de um aluno que não consegue se desenvolver plenamente por falta de um suporte tão básico. A educação inclusiva exige adaptações; elas não são despesas adicionais, mas sim investimentos estratégicos no potencial humano. A ação estadual estabelece um padrão de cuidado que deve ser replicado. A sensibilidade para tratar o tema do autismo exige que governantes compreendam que a igualdade de oportunidades passa, obrigatoriamente, pela igualdade de condições de acesso ao ambiente. Ainda há tempo de a decisão municipal ser revista, em prol dos autistas, a começar pela derrubada do veto na sessão da Câmara desta noite.

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Da Redação
Direto da redação do Jornal O Regional.