Escolas não são território neutro

O incidente na saída dos alunos da Escola Municipal Graciema Ramos, no Solo Sagrado, onde dois indivíduos em atitude suspeita fugiram da Guarda Civil Municipal (GCM) ao serem abordados, serve como um alerta estridente que a sociedade não pode ignorar. A tentativa de fuga, a desobediência à ordem de parada e a ocultação de um objeto na cintura são indicadores claros de que o entorno das nossas escolas se tornou um ponto de assédio e disputa territorial do crime organizado. A escola, que deveria ser um santuário de aprendizado e desenvolvimento, está sob constante ameaça. Para as facções criminosas, a proximidade das unidades de ensino é estratégica: é onde se concentra um público vulnerável e onde o fluxo de pessoas permite a comercialização discreta de entorpecentes e, o que é mais grave, a prospecção de novos aliciados. O crime organizado não vê barreiras; vê oportunidades, e a inocência dos nossos jovens é o alvo mais lucrativo. Diante deste cenário, o patrulhamento preventivo ostensivo não é um luxo, mas uma necessidade vital de segurança pública. A ação da GCM que flagrou a atitude suspeita é louvável, mas a fuga demonstra que a presença policial precisa ser constante e ininterrupta, especialmente nos horários de entrada e saída dos alunos. Reforçar o policiamento escolar é a maneira mais eficaz de criar uma barreira contra a infiltração do tráfico e a corrupção de menores. É imperativo que as autoridades compreendam que a segurança escolar vai além de muros e câmeras; ela reside na presença visível de agentes de segurança dedicados a proteger o perímetro. Proteger a integridade física e moral de nossas crianças e adolescentes contra a sedução do crime organizado é um dever intransferível do Estado. O caso da escola Graciema Ramos deve ser o estopim para uma política de tolerância zero em relação à criminalidade que ousa transformar nossos espaços educativos em balcões de negócios ilícitos.

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Da Redação
Direto da redação do Jornal O Regional.