Entre o saber e o convencer: reflexões sobre a Aula Magna do Dr. Leonardo Sica

No exercício cotidiano da advocacia, há uma constatação silenciosa que raramente é enfrentada com a devida honestidade: não é o conhecimento jurídico, por si só, que define o resultado de um processo, mas a forma como ele é apresentado a quem decide. Foi sob essa perspectiva que, no último dia 29 de abril, o Centro Universitário Padre Albino, recebeu o presidente da OAB São Paulo, Leonardo Sica, para a Aula Magna do curso de Direito, dedicada ao tema “Técnicas de argumentação escrita e oral nos tribunais”.

Na prática forense, não é incomum encontrar profissionais que dominam institutos, conhecem precedentes e manejam dispositivos legais com precisão, mas que falham no momento decisivo: transformar conhecimento em convencimento. A advocacia, afinal, não se confunde com um exercício de erudição. Trata-se, antes de tudo, de um exercício de responsabilidade. Não basta sustentar uma tese juridicamente possível. É necessário sustentá-la com rigor técnico, clareza e organização, traduzindo em linguagem jurídica adequada a uma série de interesses subjetivos do cliente.

Isso porque o cliente não entrega ao advogado apenas um problema jurídico, entrega expectativas que estruturam uma relação de confiança. Por essa razão, há uma dimensão ética na argumentação que ultrapassa o domínio da retórica. E foi justamente esse aspecto que se evidenciou durante a Aula Magna: a técnica argumentativa não pode ser tratada como mero elemento acessório da formação jurídica. Ao contrário, ela constitui parte essencial da própria atuação profissional. No Direito, não basta ter razão, é preciso saber demonstrar que se tem razão.

Daí emerge uma reflexão inevitável: Quantos bons argumentos se perdem diariamente por falhas de comunicação? Quantas decisões poderiam ser diferentes se a tese estivesse melhor estruturada, mais clara, mais precisa?

Argumentar bem não é fruto do acaso, é, sobretudo, de treino. Se assim é, então a excelência na advocacia não reside apenas no domínio do conteúdo, mas na capacidade de trabalhá-lo de forma consciente e progressiva. Ao final, a conclusão que se impõe é simples, mas exige maturidade para ser assumida: entre saber e convencer, não vence quem mais conhece, mas sim quem melhor convence.

Autor

Mateus Ferraz Sttuqui
Técnico em Administração e Graduando em Direito. Natural de Catanduva e residente em Tabapuã, atua como articulista, dedicando-se à escrita e a reflexão crítica sobre temas sociais, jurídicos e contemporâneos