Entre a conquista do palco e a sombra da violência

Neste domingo, 8 de março, celebramos o Dia Internacional da Mulher. Mais do que uma data comemorativa, é um momento para fazer um balanço honesto sobre a jornada feminina no Brasil e no mundo: um balanço marcado por contrastes gritantes entre o avanço profissional e a persistência da barbárie. De um lado, testemunhamos conquistas inegáveis. A presença feminina em cargos de liderança corporativa, antes uma exceção, torna-se cada vez mais frequente. Mulheres assumem diretorias, cadeiras em conselhos e pilotam inovações, provando que a competência não tem gênero. Nesse aspecto, basta lembrar como exemplo a cientista brasileira Tatiana Coelho de Sampaio, pesquisadora da UFRJ, que liderou estudos com a polilaminina, substância experimental voltada à regeneração da medula espinhal. Esses avanços femininos são resultado de décadas de luta por igualdade de oportunidades e demonstram que, quando as barreiras estruturais são removidas, a capacidade feminina de transformar o ambiente de trabalho é um motor poderoso para o progresso econômico e social. Contudo, este palco de sucesso é ofuscado por uma sombra alarmante: a escalada da violência. Enquanto algumas mulheres ascendem ao topo das hierarquias, muitas outras enfrentam a ameaça constante da agressão e do feminicídio. Os números da violência contra a mulher no país continuam em patamares historicamente elevados, transformando o lar e a rua em locais de risco. A luta por representatividade no mercado de trabalho e por igualdade de direitos convive lado a lado com a luta pela sobrevivência física. Este paradoxo define a realidade feminina atual. Não se pode celebrar plenamente a ascensão de uma mulher a um cargo de CEO enquanto, simultaneamente, testemunhamos a chacina de outras em suas próprias casas. A verdadeira emancipação só será alcançada quando a conquista do espaço profissional estiver blindada pela segurança pessoal. O avanço na liderança exige que a sociedade, o Estado e as instituições redobrem os esforços para erradicar a cultura machista que alimenta a violência. A luta do 8 de março é, hoje mais do que nunca, uma luta dupla: pela equidade e pela segurança.

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Da Redação
Direto da redação do Jornal O Regional.