Dois lados da moeda
A notícia de que Catanduva ocupa a 50ª posição no ranking estadual de geração de empregos formais, com 1.637 vagas criadas de janeiro a novembro de 2025, é um dado que merece ser destrinchado com cautela. Embora o saldo positivo em um cenário econômico complexo seja inegavelmente um motivo para reconhecer o esforço local, a mera colocação numérica pode gerar leituras superficiais e, por vezes, injustas. A pretensa comemoração da 50ª posição precisa ser temperada pela análise comparativa. Em rankings, a posição absoluta é apenas uma métrica de volume, e não necessariamente de eficiência ou qualidade. É preciso perguntar: quantas cidades menores, com bases econômicas distintas, estão posicionadas à frente de Catanduva? Se municípios com menor população e um polo industrial menos diversificado superam nossa cidade, isso aponta para um desafio estrutural. Pode significar que o ritmo de crescimento em Catanduva, embora positivo em termos absolutos, está aquém do potencial ou da necessidade de absorção de mão de obra local. O saldo de 1.637 vagas é bom, mas se a cidade vizinha, com um terço da população, gerou um número proporcionalmente maior de empregos, o "sucesso" de Catanduva se torna relativo. Este cenário nos convida a ir além da manchete. A 50ª colocação nos obriga a investigar a qualidade desses empregos criados, a distribuição setorial e a dinâmica envolvida. Outro ponto de preocupação é a tendência de queda verificada nos dois últimos meses da análise, outubro e novembro, período em que Catanduva perdeu quase 120 vagas. Portanto, a colocação de Catanduva não deve ser vista como um ponto final, mas sim como um ponto de partida para uma análise mais profunda. É um sinal de que estamos no jogo, mas a meta deve ser sempre escalar posições, não apenas evitar a lanterna. O foco deve ser sempre transformar o dado estatístico em um catalisador para ações que garantam que o crescimento econômico seja não apenas quantitativo, mas qualitativamente superior.
Autor