Dengue não permite férias

A notícia da Secretaria Municipal de Saúde de Catanduva é motivo de celebração: uma redução de 72% nos casos positivos de dengue entre o segundo semestre de 2024 (1.143 casos) e o de 2025 (321 casos). Este número expressivo comprova que as ações de combate ao Aedes aegypti estão funcionando. Contudo, neste momento de sucesso, reside o maior perigo: a complacência. Com a chegada do período chuvoso e quente, as condições ideais para a proliferação do mosquito transmissor retornam com força total. A dengue não tira férias, e a atenção da comunidade não pode esmorecer. O combate ao vetor é uma guerra contínua que depende intrinsecamente da vigilância ativa de cada morador. O papel da comunidade é insubstituível. Enquanto o poder público atua no controle focal e na nebulização, a responsabilidade primária de eliminar os criadouros está nos quintais, terrenos baldios e reservatórios domésticos. Um único recipiente com água parada pode ser o berço de centenas de novos mosquitos em poucos dias. É imperativo que a população mantenha a rotina de inspeção semanal: cobrir caixas d'água, limpar calhas, descartar lixo corretamente e verificar vasos de plantas e pneus. A redução de 72% não significa erradicação; significa que a pressão sobre o mosquito foi alta, mas ele está à espreita, esperando a primeira oportunidade para se reproduzir em recipientes negligenciados. Reforçar a conscientização sobre a importância de manter os quintais limpos, mesmo com os números positivos, é um ato de responsabilidade e um investimento direto na saúde coletiva. A manutenção da baixa incidência depende da disciplina diária de todos. Não podemos permitir que a satisfação com os resultados atuais nos custe (mais) um surto no futuro próximo.

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Da Redação
Direto da redação do Jornal O Regional.