Contra o desperdício do dinheiro público
A fiscalização de obras públicas é ferramenta indispensável para a proteção do patrimônio coletivo. Quando falamos de reformas, construções e manutenções custeadas com o dinheiro dos impostos, cada centavo investido deve ser acompanhado de perto para garantir que a entrega final tenha a qualidade e a durabilidade esperadas. O recente e preocupante caso da Escola Municipal Otacílio de Oliveira Ramos, denunciado pelo vereador David Roger, serve como um alerta urgente sobre o que acontece quando essa vigilância falha. Reformada com investimento expressivo de mais de um milhão e meio de reais, a unidade escolar já apresenta sérios problemas estruturais. Relatos de infiltrações severas — com chuva dentro do ambiente escolar — revelam um contraste inaceitável entre o valor gasto e o serviço entregue. Como uma obra tão recente, que custou cifras milionárias ao contribuinte, pode apresentar falhas tão básicas e em tão pouco tempo? Nesse cenário, a responsabilidade é compartilhada, mas começa no poder público. A Prefeitura de Catanduva precisa manter rigor absoluto em sua fiscalização interna. Os técnicos da administração pública não podem ser meros burocratas que assinam documentos; eles devem ser os guardiões da qualidade técnica no canteiro de obras, exigindo que as empreiteiras cumpram cada detalhe do contrato. Se uma obra mal executada é aceita e paga pelo poder público, o prejuízo é dobrado: paga-se pela reforma e, logo depois, paga-se novamente pelo reparo do que foi mal feito. É o chamado "dinheiro jogado fora". A não ser que a ideia tenha sido essa mesma, elevando custos para uma reforma que seria simples, porém, se formos nesse sentido, precisaremos falar sobre corrupção. Voltando ao ponto inicial, a fiscalização popular é o combustível que mantém o sistema honesto. O cidadão, ao visitar a escola de seus filhos ou passar por uma construção no seu bairro, tem o poder de denunciar irregularidades, cobrar prazos e exigir transparência. Para que o dinheiro de Catanduva seja respeitado, a população deve permanecer sempre atenta e vigilante. Afinal, a excelência na educação começa com um teto seguro sobre a cabeça de alunos e professores.
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