Conta alta da negligência

A notícia do investimento de R$ 352 mil para reformar o campo de futebol e a quadra poliesportiva da Praça Esportiva e Cultural Irmãos Jô e Bi, no Bom Pastor, é um alívio para a população local. A prefeitura reconhece a necessidade de oferecer um local seguro para a prática esportiva. Contudo, este anúncio, embora positivo, serve como doloroso lembrete de um problema crônico, que é a falha na manutenção preventiva dos bens públicos. Quando uma praça exige um aporte financeiro tão significativo para ser "colocada novamente em ordem", significa que o custo da negligência superou, e muito, o da atenção contínua. O estado inadequado de conservação, que forçou o investimento reabilitador, é o sintoma de um ciclo vicioso: a falta de cuidado rotineiro transforma pequenos reparos em grandes obras emergenciais. Em Catanduva, aliás, essa realidade se manifesta em diversos pontos. Vemos praças com mato alto que inibem o lazer familiar, e parquinhos onde brinquedos quebrados permanecem inoperantes por longos períodos, expondo crianças a riscos e privando-as de lazer seguro. O esporte, pilar do desenvolvimento social e da saúde pública, não pode esperar que a deterioração atinja o ponto crítico, como ocorreu no Bom Pastor. A manutenção preventiva não é um luxo ou um gasto supérfluo; é a forma mais inteligente e econômica de gestão pública. Ela preserva o patrimônio, garante a segurança dos cidadãos e, crucialmente, otimiza os recursos do contribuinte, evitando que centenas de milhares de reais sejam gastos anualmente em correções que poderiam ter sido evitadas com rondas semanais e reparos imediatos. Que a reforma no Bom Pastor seja o marco para que a gestão municipal priorize a zeladoria diária, transformando a manutenção em um pilar constante, e não apenas em uma resposta tardia à deterioração.

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Da Redação
Direto da redação do Jornal O Regional.