Conexão: violência contra animais e violência contra humanos

A Sociedade Humanitária dos Estados Unidos (HSUS) é a primeira organização a conduzir um estudo em nível nacional americano examinando a predominância de violência humana em situações que envolvem crueldade contra animais. Os resultados de um ano de estudo, apontam que; um grande número de casos de crueldade intencional contra animais também envolve algum tipo de violência familiar, seja violência doméstica, maus tratos contra crianças ou idosos, evidenciando que há um elo muito forte, de pessoas que maltrataram os animais e posteriormente vieram a se tornarem potenciais criminosos.

 A violência doméstica contra os animais, foi à forma mais reportada, seguida por abusos contra crianças e pessoas idosas. O estudo aponta, que 21% dos casos de crueldade contra animais intencional também envolvem alguma forma de violência familiar, sendo em sua maioria o cônjuge, ou seja, o marido ou companheiro que abusa da esposa e a faz, inclusive testemunhar atos de crueldade contra animais.

Animais de companhia são os alvos mais frequentes de crueldade, principalmente os cães (76% de todos os animais de companhia) que são comumente mais relatados que casos de crueldade contra gatos (19% de todos os animais de estimação). Nos casos de crueldade contra animais intencional, as ofensas mais comuns são tiros, espancamento, arremesso do animal e (ou) mutilação. Interesse antigo na conexão entre crueldade contra animais e violência humana foi inspirado por casos contados pela população em geral e compilados pelo FBI e outras agências criminalistas ligando assassinos seriais, estupradores seriais e assassinos estupradores a atos de crueldade contra animais antes dos 25 anos de idade.

No Brasil, o nível de crueldade contra os animais também chega a ser absurdo, envenenamento, caçada e espancamento são os crimes mais praticados. Embora, a grande mídia tem dado algum destaque a casos isolados e algumas autoridades tem praticado o endurecimento das leis, é quase que normal a dificuldade até mesmo de contatar uma autoridade policial nos casos que envolvem maus tratos. O tema, na atualidade ainda é pouco estudado e difundido no país e carece de mais informação e treinamento para profissionais da segurança pública e saúde, incluindo médicos veterinários, que podem contribuir muito para identificar a violência e também um projeto de conscientização e educação nas escolas em geral.

Além dos esforços em relação à legislação, um exemplo a ser seguido é que muitas comunidades americanas já estão desenvolvendo programas antiviolência cujo objetivo principal têm a intenção de prevenção, usando a conexão violência contra animais/ violência contra humanos, para identificar e dar assistência a animais e humanos vulneráveis à posição de vítimas. Muitos desses programas se utilizam de comparações de relatos entre organizações, entidades essas que cuidam de crianças, animais e casos de violência em família, trabalhando no sentido de encontrar uma solução conjunta.

Talvez o meio mais eficaz de se combater crueldade contra animais e violência humana seja a prevenção. A maioria dos maus tratos infligidos a animais e a humanos é motivado por medo, ignorância e inabilidade de se ter empatia pelas necessidades e sentimentos de outros. Educação humanitária pode ser essencial para se introduzir o conhecimento de valores que podem ajudar a prevenir crianças de começarem a percorrer um caminho destrutivo. Esses esforços não podem desfazer gerações de abusos, mas eles podem ser um significado efetivo no sentido de quebrar o ciclo de violência em família, de uma geração para outra.

Davis Glaucio Quinelato

Advogado e presidente da Comissão de Meio Ambiente e de Defesa dos Direitos dos Animais da 41ª Subseção da OAB Catanduva

Autor

Colaboradores
Artigos de colaboradores e leitores de O Regional.