Com os Bolsonaros fora de controle, Centrão deve recalcular a rota

O pragmatismo de Brasília costuma trabalhar com uma lógica de "prazo de validade". Desde a inelegibilidade de Jair Bolsonaro, o ecossistema político do Centrão, capitaneado por caciques que dominam o orçamento e o tempo de TV, operava sob a ideia de que o bolsonarismo migraria para uma direita mais "palatável" ou que, no máximo, serviria como cabo eleitoral para um nome de fora do clã raiz. As últimas pesquisas, porém, jogaram um balde de água fria nos arquitetos de um nome à “la Faria Limers”.

Enquanto o debate público foca na polarização ruidosa, o senador fluminense tem se focado em desenvolver uma capacidade de transitar entre a base ideológica mais fiel e a articulação institucional.

Diferente do tom explosivo de seus irmãos, Flávio consolidou-se como o "diplomata" da família. Ele fala a língua do Senado, entende as engrenagens do Judiciário e, ao mesmo tempo, mantém o capital político do pai, que não aceita outra liderança senão um Bolsonaro puro-sangue. Para o Centrão, que esperava um espólio político fácil, esse cenário é um pesadelo político.

O Centrão agora se vê em uma encruzilhada. "Esperar o bolsonarismo murchar" para lançar um nome de centro-direita que pudesse herdar esses votos sem o "ônus" do radicalismo, já não parece mais fazer tanto sentido. Se Flávio Bolsonaro se consolidar como o nome da família para 2026, o Centrão terá que abandonar o plano de protagonismo isolado e será obrigado escolher de qual lado ficará. No cenário eleitoral, a família Bolsonaro dobra a aposta e se o Centrão acreditava no fim do ciclo, talvez precise rever seus cálculos.

Autor

Mateus Ferraz Sttuqui
Técnico em Administração e Graduando em Direito. Natural de Catanduva e residente em Tabapuã, atua como articulista, dedicando-se à escrita e a reflexão crítica sobre temas sociais, jurídicos e contemporâneos