Cidadão na primeira linha de defesa

Os recentes dados divulgados em Catanduva deveriam servir como um forte chamado à ação comunitária. As manchetes sobre a saúde pública municipal revelam que a batalha contra vetores e pragas não é travada apenas nas campanhas governamentais, mas sim, fundamentalmente, dentro de nossos quintais e terrenos. O índice de 2,5% da Avaliação de Densidade Larvária (ADL) em janeiro de 2026 é um sinal inequívoco de alerta. Ao ultrapassar em mais do que o dobro o limite de 1% recomendado pela OMS, Catanduva se coloca em risco iminente de surtos de dengue, zika e chikungunya. Da mesma forma, o aumento de 26,6% nos acidentes com escorpiões, totalizando 228 notificações no ano passado, demonstra que o ambiente urbano está propício para a proliferação desses animais. O ponto central que une estas duas estatísticas alarmantes é a responsabilidade individual. Enquanto a prefeitura tem o papel de fiscalizar e promover campanhas, a eficácia de qualquer política de controle de vetores é diretamente proporcional ao engajamento da população. Larvas de mosquito prosperam em água parada; escorpiões encontram abrigo em entulhos, materiais de construção e vegetação alta. Manter casas, quintais e terrenos limpos e livres de acúmulo de resíduos não é apenas uma questão de boa vizinhança, é um ato de cidadania sanitária. Cada recipiente esquecido, cada monte de entulho abandonado, torna-se um potencial criadouro ou um refúgio para animais peçonhentos. O cidadão é, portanto, a peça-chave para o bem coletivo. A saúde da cidade é um reflexo direto do cuidado que dedicamos ao nosso espaço imediato. É hora de transformar a indignação com os números em ação prática e contínua, garantindo que a prevenção comece na porta de nossa casa.

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Da Redação
Direto da redação do Jornal O Regional.