Cicatrizes invisíveis

Os 167 pacientes internados na Unidade para Tratamento de Queimados (UTQ) do Hospital Padre Albino em 2025 representam histórias de dor, resiliência e transformação forçada. Quando acidentes domésticos, explosões ou o manuseio impróprio de combustíveis vitimam um cidadão, o dano imediato é físico, mas as consequências se estendem por toda a vida. As queimaduras graves deixam marcas visíveis que se tornam um lembrete constante do trauma. Contudo, as cicatrizes mais profundas são, muitas vezes, as invisíveis: o impacto psicológico, a alteração da autoimagem, as dificuldades de reintegração social e as limitações funcionais que redefinem a rotina da vítima e de sua família. Pode parecer utopia, mas a alta taxa de internações em Catanduva exigiria resposta coordenada entre a sociedade civil e as autoridades. Não local, mas nacional. A prevenção, neste caso, é um investimento social prioritário e representaria economia ao sistema de saúde. As campanhas educativas devem ser contínuas, sendo focadas em coisas do dia a dia, como práticas seguras com gás de cozinha, fogões e produtos inflamáveis, por exemplo. As autoridades municipais também precisam intensificar a fiscalização sobre a venda e o armazenamento de combustíveis e materiais inflamáveis em estabelecimentos comerciais, garantindo que as normas de segurança estejam sendo rigorosamente seguidas. Nas escolas, há a possibilidade de inclusão de módulos práticos sobre primeiros socorros e prevenção de acidentes domésticos no currículo escolar, criando uma cultura de cautela desde cedo, transformando as crianças em agentes multiplicadores de segurança em casa. A UTQ do Hospital Padre Albino faz um trabalho heroico ao tratar as lesões, mas a verdadeira vitória sobre as queimaduras reside na capacidade da comunidade de evitar que elas aconteçam. Reduzir esses acidentes é garantir que menos famílias precisem enfrentar o longo e doloroso processo de recuperação física e emocional.

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Da Redação
Direto da redação do Jornal O Regional.