Chave para a Inclusão Social

O projeto "Giglafla: sensor para deficientes visuais", desenvolvido pelas alunas da Etec de Novo Horizonte, é um lembrete de que a inclusão social plena depende intrinsecamente da remoção de barreiras físicas e econômicas. A autonomia de um indivíduo com deficiência visual, garantida por um sistema portátil que detecta obstáculos, não é apenas uma conveniência, mas um direito fundamental que permite a plena participação na vida comunitária, profissional e pessoal. A verdadeira inclusão exige que as tecnologias assistivas sejam não apenas funcionais, mas, acima de tudo, acessíveis. O contraste apresentado é gritante: enquanto dispositivos similares no mercado custam cerca de R$ 5.000, o protótipo desenvolvido pelas estudantes tem custo estimado de apenas R$ 300. Essa diferença de valor é o que separa o acesso à mobilidade e segurança de uma pessoa de sua realidade. A tecnologia, quando inacessível economicamente, falha em seu propósito social mais nobre. É nesse ponto que o desenvolvimento de ferramentas em instituições de ensino técnico e superior públicas se revela um caminho estratégico e promissor. Escolas como a Etec e Fatec, ao fomentarem projetos práticos e orientados a problemas reais da comunidade, transformam estudantes em agentes de mudança e criam soluções robustas e, crucialmente, de baixo custo, democratizando o acesso à inovação. Ao focar na criação de tecnologias acessíveis dentro do ambiente acadêmico público, garantimos que o conhecimento técnico sirva prioritariamente ao bem-estar coletivo, e não apenas ao lucro de grandes corporações. O Giglafla demonstra que a boa vontade, a competência técnica e a visão social, quando combinadas em um ambiente educacional focado no cidadão, são capazes de gerar avanços que transformam vidas e fortalecem o tecido social de toda a região. É um modelo a ser replicado para garantir que a dignidade e a autonomia sejam realidades para todos.

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Da Redação
Direto da redação do Jornal O Regional.