Cautela contra os golpes

Não é de hoje que os golpes existem. Eles fazem parte da história da sociedade, mas a forma como são praticados acompanhou as transformações tecnológicas. O recente aumento das fraudes envolvendo compra, venda e aluguel de imóveis em grandes centros urbanos, como São Paulo, é apenas mais um exemplo de uma realidade preocupante. Os números do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025 mostram a dimensão do problema: são cerca de 448 mil ocorrências de estelionato por ano no Estado de São Paulo, o equivalente a mais de 50 golpes por hora. Embora a tecnologia tenha ampliado o alcance dos criminosos, é importante lembrar que as fraudes não nasceram com a internet. Décadas atrás, golpes presenciais já faziam vítimas em diferentes regiões do país. Um dos mais conhecidos era o chamado “golpe do bilhete premiado”, em que criminosos convenciam pessoas a comprar um suposto cartão de loteria premiado por um valor inferior ao prêmio. Também eram comuns fraudes praticadas por telefone, nas quais golpistas se passavam por representantes de empresas ou instituições para obter dinheiro ou informações pessoais. Aliás, isso continua ocorrendo até hoje. O que mudou foi a velocidade e a sofisticação das ações criminosas. Hoje, aplicativos de mensagens, redes sociais, plataformas de comércio eletrônico e até ferramentas de inteligência artificial são utilizados para criar situações aparentemente legítimas. Fotos, documentos falsificados e perfis clonados ajudam a dar credibilidade às abordagens, dificultando a identificação das fraudes. No mercado imobiliário, por exemplo, criminosos anunciam imóveis inexistentes, utilizam imagens retiradas da internet e exigem pagamentos antecipados para reserva ou aluguel. Em outras modalidades, falsas centrais bancárias, golpes do Pix, clonagem de contas e falsas ofertas de emprego continuam fazendo milhares de vítimas todos os anos. Diante desse cenário, a informação e a cautela tornaram-se as principais ferramentas de proteção. Afinal, embora os golpes mudem de formato ao longo do tempo, a estratégia dos criminosos continua a mesma: explorar a confiança, a pressa e a boa-fé das pessoas.

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Da Redação
Direto da redação do Jornal O Regional.