Catanduva não nasceu em 1918
Um dos maiores erros cometidos quando se fala sobre o início de nosso povoamento, é que Catanduva foi fundada no dia 14 de abril de 1918.
Se procuramos no dicionário a palavra “fundação”, encontraremos vários significados, entre eles, segundo o dicionário Houaiss, “(...) ponto de partida para organização e funcionamento de uma instituição, cidade ou local”.
Dizer que Catanduva foi fundada em 14 de abril de 1918 é cometer um grande erro. Ao afirmar isso, dá-se a impressão que antes de 1918 não existia nada em nossa terra, e que foi a partir daquela data que tudo começou a aparecer em Catanduva. E sabemos que não foi dessa maneira.
Desde meados do século XIX têm-se notícias de pessoas que já habitavam a região que posteriormente levaria o nome de Catanduva.
Um dos pontos favoráveis para a ocupação das terras de nossa cidade foi a qualidade da terra. A terra era muito boa para o plantio do café, que naquela época era considerado o ouro verde do país, o produto que, com certeza, traria grandes riquezas para quem o cultivasse.
Os primeiros moradores que foram se fixando aqui no final do século XIX, vieram realmente por causa da terra.
Se o fato da terra ser boa já atraía muitos “desbravadores”, as glebas que foram colocadas à venda continham preços considerados baixos, claro que levando em conta a dificuldade de se começar algo novo neste sertão do noroeste do Estado.
Não há dúvidas que os primeiros posseiros que se infiltraram em nossa região, principalmente a partir da segunda metade do século XIX para frente, eram indivíduos de Minas Gerais, e que formavam um grupo diverso, indo desde agricultores ou criadores de gado, até mascates e ambulantes, incluindo até alguns foragidos da Justiça.
De início, o povoamento levou o nome de São Domingos do Cerradinho e teve como primeiros habitantes: Antônio Maximiano Rodrigues e sua mulher, Francisca Sales de Jesus, além de José Lourenço Dias Figueiredo, Joaquim Figueiredo, Francisco de Paula Vieira, Francisco Gonzaga de Figueiredo, Joaquim Alves de Araújo, Domingos Borges da Costa (Minguta) e seus familiares, entre outros.
O município de Catanduva foi criado pela Lei Nº 1.564, de 14 de novembro de 1917 e teve sua instalação realizada no Clube Sete de Setembro em 14 de abril de 1918.
Lei Nº 1.564 – De 14 de Novembro de 1917
Crêa o município de Catanduva, na comarca de Rio Preto
O DOUTOR ALTINO ARANTES, Presidente do Estado de São Paulo.
Faço saber que o Congresso Legislativo decretou e eu promulgo a lei seguinte:
Artigo 1º - Fica creado o município de “Catanduva”, com o território do atual distrito de paz de “Vila Adolfo”, da comarca de Rio Preto.
Artigo 2º - As suas divisas são as seguintes: Começam na barra do córrego Jacú, no ribeirão São Domingos, e sóbem por aquele até dois quilometros e meio; daí, a rumo, vão ter ao corrego dos Tenentes, no ponto que dista dois quilometros e meio da sua barra no ribeirão São Domingos e descem pelo córrego dos Tenentes até ao Ribeirão São Domingos, descem por êste até a barra do córrego Taquari, por êste acima até a sua cabeceira mais alta, e daí, em linha reta, até a cabeceira mais alta do córrego de Limeira, por êste abaixo até a sua confluência com o córrego das Bicas; continuam por êste acima até a confluência do primeiro pequeno córrego da margem esquerda e por êste acima até a sua cabeceira; dêsse ponto prosseguem em rumo até a cabeceira do córrego S. bento, por esta abaixo atá à sua confluência no ribeirão Cubatão e por êste acima até à sua cabeceira; daí, não ao alto do divisor das águas dos ribeirões Três Barras, Cubatão e S. Domingos, e, alcançando a cabeceira do córrego da Barra Grande, descem por êle até o ribeirão S. Domingos e por êste abaixo à barra do córrego Jacú, onde tiveram começo.
Artigo 3º - Revogam-se as disposições em contrário.
O Secretário de Estado dos Negócios do Interior assim a faça executar.
Palácio do Govêrno do Estado de S. Paulo, aos 14 de novembro de 1917.
ALTINO ARANTES.
Oscar Rodrigues Alves.
Publicada na Secretaria de Estado dos Negócios do Interior, em 14 de novembro de 1917. – O Diretor-geral, João Crisóstomo B. Reis Junior.
Primórdios do desenvolvimento
“Incontestavelmente, estamos no auge do progresso.
As nossas vilas dia a dia recebem mais um melhoramento, que demonstra o seu constante evoluir. Quem há três anos passados (1914) visitou esta zona, e que atualmente aqui chegue, naturalmente se extasiará surpreendido com as transformações por que tem passado e que está operando em nossas vilas.
Centenas de elegantes edifícios comerciais; cinco estabelecimentos industriais considerados os mais importantes da zona; tudo, enfim, que transformou uma pequena vila em uma soberana cidade.
Há cerca de um mês, em uma excursão aqui estiveram diversos visitantes de diversas localidades, que disseram: “Esse progresso rápido, uma riqueza igual, somente se verifica nos Estados Unidos”.
Portanto que se diga da prosperidade de Vila Adolfo, nunca exageramos. São os justos e desinteressados que, fazendo justiça, nos felicitam.
A notícia de um grande futuro promissor reservado a nossa zona já ressoou por toda a parte, e constantemente recebemos a visita de capitalistas, comerciantes, lavradores, industriais, colonos e operários de toda a classe.
Só no decurso de um ano, para aqui vieram e se estabeleceram um grande número de pessoas”.
(Carta escrita por um antigo morador de nossa terra, no dia 28 de junho de 1917)
Foto: 14 de abril de 1918 – Dia da instalação do município de Catanduva. Nesta foto, participantes do ato de instalação ocorrido no Clube Sete de Setembro
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