Carta aos Comerciantes

A crise mais antiga de que se tem notícia foi há 66 milhões de anos. Caiu um meteoro que media 15 quilômetros de diâmetro no México. Este evento aleatório provocou uma densa nuvem de poeira que recobriu a Terra inteira por 500 dias. Isso bloqueou a luz solar, impediu a fotossíntese dos vegetais, desequilibrou a relação entre animais carnívoros e herbívoros. Exterminou quase todos os dinossauros e todos os animais que pesavam mais de 25 quilos pereceram. Coisa de 75% do total. Sem os répteis gigantes, os mamíferos se desenvolveram e dominaram o planeta. E daí surgiu a melhor das espécies: o ser humano.

Pulando para os dias atuais, há seis anos passamos por uma crise sanitária e econômica que ninguém fazia ideia que aconteceria. Nem a turma que faz as previsões de fim de ano para o Fantástico. O novo Coronavírus foi o meteoro deste início de século. Lançou o planeta numa escuridão em que não se conseguia enxergar bem o que vinha pela frente. O jeito foi se adaptar à nova realidade. O pós-epidemia está marcado por um cenário de incertezas. De toda espécie. Política, militar e principalmente econômica.

Surge a dúvida: como empreender na crise? O empresário deve se perguntar se conhece bem sua empresa. Como estão os indicadores financeiros? Como está o sistema de gestão? Quais os recursos disponíveis? Como está sua resiliência? Infelizmente a margem de erro, diminuirá. Uma pena. Está na alma do empreendedor tentar e tentar de novo. Até acertar! Diante do insucesso, jogue fora tudo o que você tinha planejado e comece de novo. Revise seus planos, mas não deixe de planejar a longo prazo. No caso do Brasil, longo prazo é algo em torno de seis meses... E adapte-se rapidamente às mudanças.

E o que as incertezas trazem de novo? Além da tecnologia, lançam luz sobre velhas ferramentas. Transações financeiras pela internet. Plataformas de reunião virtuais. Ensino remoto. E-commerce. Estão na praça há muitos anos e nós que não dávamos muita bola.

Reflita: os produtos estão atuais? A qualidade é boa? Seu setor está com demanda reprimida? Quanto aos clientes, existe o eterno enigma da esfinge: “decifra-me ou te devoro”. Quais as expectativas deles? Está cuidando da rede de relacionamentos? Informe-se, mas lembre-se que muita informação pode poluir o raciocínio. É saber diferenciar entre o sinal e o ruído. O que o empresário precisa não é de muitas, mas sim das informações corretas. Preste atenção ao que será o novo “normal” depois de cada crise. Ainda que elas sejam praticamente diárias.

Como na crise do meteoro, empresas vão sucumbir, outras sobreviverão e algumas dominarão o planeta. Cabe ao empresário, seguir as três receitas garantidas de sucesso: trabalhar, trabalhar e trabalhar. E continuar acreditando. Esse é o espírito da coisa!

Autor

Toufic Anbar Neto
Médico, cirurgião geral, diretor da Faceres. Membro da Academia Rio-pretense de Letras e Cultura