Cadê o clima da folia?

Algumas pessoas começaram a falar que não estão sentindo o “clima” do Carnaval, apesar da clara proximidade da festa popular. O discurso vem mesclado com lembranças e aquele saudosismo de que em outros tempos – ou “no meu tempo” – as semanas que antecediam a folia eram marcadas por preparativos, por um “esquenta” ou como você, leitor, preferir chamar. Quando Catanduva tinha desfiles de blocos e escolas pela rua Brasil, as pessoas se prepararam, costuravam suas fantasias e se organizavam em grupos. Quando havia escolas de samba para desfilar na av. Eng. José Nelson Machado, a essa altura havia ensaios nos bairros, sendo normal escutar o batuque da bateria e ver os carros alegóricos sendo preparados. Quando a cidade tinha os desfiles seguidos por trio elétrico na av. Theodoro Rosa Filho, havia a expectativa pela lista de shows que sempre traziam cantores, grupos e hits do momento. Os lugares mudaram com o tempo, mas o Carnaval existia. Depois, tudo foi se perdendo e a maior festa popular deixou de ser realizada no município, restando os bailes de salão e as matinês, como ainda ocorre no Clube de Tênis e no Sesc Catanduva. Não adianta acreditar que o fato de ter Carnaval em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Salvador, só para citar os principais, os catanduvenses vão entrar no “clima” do Carnaval por vê-lo pela televisão. Não é assim que funciona. Essa é uma festa que pressupõe participação popular, são as pessoas nas ruas, produzindo fantasias e alegorias para desfilar ou correr atrás do trio elétrico com seus abadás. Como nada disso existe por aqui, não anima, sabe? Resta apostar nos Carnavais da região, a exemplo de Santa Adélia, Novo Horizonte, Olímpia, Urupês e Rio Preto. Nem que a animação venha em cima da hora, durante aqueles dias em que o Carnaval toma conta do noticiário, das transmissões televisivas e nos causa emoção.

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Da Redação
Direto da redação do Jornal O Regional.