Busca pela felicidade
A queda de 6,7% nos divórcios em Catanduva (de 560 para 522) e de 2,8% no Brasil entre 2023 e 2024, marcando a primeira redução após anos de alta, aponta para um momento de reflexão sobre as dinâmicas matrimoniais. A sociedade atual testemunha uma transformação profunda no conceito de casamento e compromisso a longo prazo. As relações, embora ainda buscadas, parecem ser vistas com uma lente de maior individualismo e expectativas de realização pessoal imediata. A menor durabilidade percebida hoje está ligada a vários fatores comportamentais e sociais, entre eles a busca por autonomia e liberdade. As mulheres, em particular, alcançaram maior independência econômica e social, o que torna a permanência em uniões insatisfatórias menos uma necessidade financeira e mais uma escolha. Isso leva a separações mais céleres quando os objetivos individuais divergem. Além disso, as expectativas sobre o papel do cônjuge mudaram drasticamente. A pressão por papéis de gênero mais fluidos e a busca por parcerias verdadeiramente igualitárias geram atrito quando a realidade da convivência não corresponde ao ideal. Também é preciso levar em conta que a facilidade de acesso a informações sobre direitos e o processo de divórcio, somada à menor estigmatização social da separação, remove barreiras que antes forçavam casais a permanecerem juntos por obrigação. Apesar da queda recente nos números, que pode ser um indicador de cautela econômica ou um adiamento de decisões difíceis, a tendência estrutural aponta para relações mais fluidas. O casamento, hoje, é frequentemente encarado como um contrato baseado em felicidade mútua e realização pessoal, e não mais como uma instituição inquebrável ditada por pressões sociais ou econômicas. Quando a felicidade individual é colocada no centro, a durabilidade do laço torna-se condicional. Ao que parece, a sociedade valoriza a qualidade da experiência conjugal acima do mero status.
Autor