As comemorações de Corpus Christi [07.06.26]

Na última quinta-feira, dia 4 de junho, comemoramos o feriado de Corpus Christi, expressão latina que sigifica “Corpo de Cristo”.

É um evento baseado nas tradições católicas, realizada na quinta-feira seguinte ao domingo da Santíssima Trindade, que, por sua vez, acontece no domingo seguinte ao de Pentecostes.

Uma das principais características dessa comemoração é a realização de grandes procissões, pelas vias públicas, atendendo a recomendação do Código de Direito Canônico, que determina que o bispo diocesano providencie, onde for possível, “(...) para testemunhar publicamente a adoração e a veneração para com a Santíssima Eucaristia, principalmente na solenidade do Corpo e do Sangue de Cristo”. Além disso, nestas datas, é recomendado que o bispo não se ausente da diocese, a não ser por motivo grave.

História

A origem da Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo remonta o século XIII. A Igreja Católica sentiu a necessidade de realçar a presença real do “Cristo todo” no pão consagrado. A festa de Corpus Christi foi instituída pelo Papa Urbano IV, através da bula “Transiturus de hoc mundo”, de 11 de agosto de 1264, para ser celebrada na quinta-feira após a Festa da Santíssima Trindade, através de uma grande solenidade em honra do Corpo do Senhor.

Através de sua solicitação, os objetos milagrosos foram levados para a cidade de Orviedo, em grande procissão, sendo recebidos solenemente por sua santidade e levados para a Catedral de Santa Prisca. Esta foi a primeira procissão do Corporal Eucarístico.

A Eucaristia é um dos sete sacramentos e foi instituído na Última Ceia, quando Jesus disse: “Este é o meu corpo (...) isto é o meu sangue (...) fazei isto em memória de mim”. Segundo Santo Agostinho, é um memorial de imenso benefício para os fiéis, deixado nas formas visíveis do pão e do vinho.

Como a Eucaristia foi celebrada pela primeira vez em uma quinta-feira, Corpus Christi se celebra sempre numa quinta-feira, comemorado sempre sessenta dias após a Páscoa.

A festa no Brasil

Em muitas cidades portuguesas e brasileiras, é costume ornamentar as ruas por onde passa a procissão com tapetes de colorido vivo e desenhos de inspiração religiosa. Esta festividade de longa data se constituiu uma tradição no Brasil, principalmente nas “cidades históricas”, que se revestem de práticas antigas e tradicionais e que são embelezadas com decorações de acordo com costumes locais.

A tradição da confecção do tapete surgiu em Portugal e veio para o Brasil com os colonizadores. Os desenhos utilizados são variados, mas enfocam, principalmente, o tema da Eucaristia.

Catanduva

Assim como muitas cidades do Brasil, Catanduva também teve uma tradição nas comemorações do Corpus Christi.

Como exemplo disso, podemos citar a comemoração da festa no ano de 1965, onde foi possível perceber os lindos tapetes espalhados pelas ruas centrais de Catanduva.

O jornal A Cidade, de 19 de junho de 1965, trazia uma matéria intitulada “Procissão de Corpus Christi foi um magnífico espetáculo”, traz em seu começo: “Revestiu-se de brilhantismo incomum a procissão de Corpus Christi, magnífico espetáculo de fé no qual tomaram parte milhares de pessoas numa demonstração inequívoca de que cresce continuadamente a religiosidade dos catanduvenses”.

Além de toda a beleza espiritual do evento, a arte material dessa comemoração, em 1965, foi espetacular, onde todas as ruas do trajeto ficaram decoradas com os famosos tapetes.

Pela primeira vez em Catanduva a Praça 1º de Maio, a Rua Brasil e a Praça da Matriz apresentaram-se decoradas à altura da cidade de Matão – SP, que sempre se destacou no que diz respeito aos enfeites.

A procissão caminhou sobre o extenso tapete decorativo ao longo do qual, de espaço em espaço, podiam-se ver os desenhos sugestivos de quadros feitos com materiais diversos, como pó de serra, vidro moído e farinha de mandioca, tudo em cores vivas e brilhantes.

O primeiro e maior desses quadros, elaborado pelo engenheiro João Righini, localizou-se na esplanada da Estação, seguindo-se vários outros menores, rumo à Igreja Matriz de São Domingos.

A iniciativa da ornamentação foi da professora Janete Maria Monteleone, que foi muito dedicada na preparação de tudo, juntamente com o Sr. Odilon de Castro, que também colaborou muito para a realização do evento. Vale lembrar que inúmeras pessoas e comerciantes também colaboraram para o evento.

2026

Nossa cidade viveu uma grande manifestação pública de fé e amor à Eucaristia. No dia 4 de junho, todas as Paróquias de Catanduva estavam unidas na celebração de Corpus Christi, com Santa Missa, às 8h, na Catedral Santuário Nossa Senhora Aparecida, presidida por nosso bispo diocesano, Dom José Benedito, concelebrada pelos padres da cidade, com a participação dos fiéis das 14 Paróquias de Catanduva.

Após a Missa, foi realizada a procissão com o Santíssimo Sacramento pelas ruas no entorno da Catedral. Neste ano, o tapete foi confeccionado com mantas e cobertores, que depois serão destinados às instituições do nosso município e também a outras entidades da Diocese de Catanduva. Também foi pedido a doação de alimentos, que foram levados à Missa na Catedral e posteriormente serão destinados às famílias carentes através do trabalho dos Vicentinos.

Fonte de Pesquisa:

 - Jornal A Cidade, de 19 de junho de 1965.

 - Material pesquisado no acervo do Centro Cultural e Histórico Padre Albino.

Foto: 

Trecho da Rua Brasil, no sentido da Estação Ferroviária de Catanduva, totalmente decorada para a procissão (1965)

Autor

Thiago Baccanelli
Professor de História e colunista de O Regional.