Ameaça silenciosa

Os dados de 2025 sobre mortalidade por doenças respiratórias em Catanduva, compilados a partir do Nies, trazem mensagem clara e preocupante: a ameaça invisível ainda persiste. Com 61 vidas perdidas devido a complicações ligadas à Influenza, Covid-19, e, notavelmente, à Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) — responsável por 40 óbitos —, o município enfrenta cenário que exige renovada atenção. A memória da pandemia da Covid-19 nos ensinou lições valiosas sobre a velocidade de propagação e a letalidade de patógenos respiratórios. No entanto, com a flexibilização das medidas e a aparente normalização da vida, corre-se o risco de um esmorecimento perigoso nos cuidados preventivos. Os números de 2025 provam que, mesmo em menor escala que no auge da crise sanitária, a transmissão continua ativa e, tragicamente, continua fazendo vítimas fatais. É imperativo que a população não caia na armadilha da falsa sensação de segurança. A SRAG, com seus 549 casos registrados, é um lembrete de que outras síndromes graves circulam e exigem o mesmo respeito que demos ao coronavírus, que teve 46 registros e 9 mortes no ano passado. A prevenção não pode ser uma medida emergencial, mas sim um hábito incorporado à rotina. Manter a atenção aos sintomas — febre, tosse persistente, dificuldade respiratória — e buscar orientação médica precoce é a primeira linha de defesa. Vacinação em dia, higiene das mãos e a utilização consciente de máscaras em locais fechados ou aglomerados continuam sendo ferramentas poderosas. A saúde pública é um esforço coletivo. Se os números de 2025 nos mostram que a transmissão ainda é uma realidade, a resposta da comunidade deve ser a reafirmação do compromisso com o cuidado mútuo. Não se trata de reviver o medo, mas de honrar as vidas perdidas mantendo a vigilância ativa contra tudo aquilo que ameaça o nosso bem-estar respiratório.

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Da Redação
Direto da redação do Jornal O Regional.