Alarme falso

Muitos espécimes da raça humana esforçam-se diariamente para provar que a mesma é inviável. A energia nuclear poderia ser a matriz energética que conduziria o progresso da humanidade. Fizeram bombas. O avião deveria ser um meio de transporte mais rápido. Fizeram caças e bombardeiros. Facas deveriam ser simples apetrechos de cozinha e pequenas armas de fogo deveriam ser um instrumento para defesa contra animais selvagens. Ambos viraram artefatos de guerra. Facas e armas leves são responsáveis por 500 mil mortes por ano. A internet e as mídias sociais foram criadas para integrar as pessoas. Viraram a terra de ninguém e do vale tudo.

Os militares modernos perceberam há tempos que dá muito trabalho matar o inimigo com armas convencionais. Montaram os exércitos cibernéticos. Hoje, dentre os vários países que já o tem, a China, a Rússia, obviamente os Estados Unidos, Coréia do Norte e Irã se destacam. É melhor provocar o caos do que sair soltando bombas nas cabeças dos outros.

Tem uma frase atribuída à Albert Einstein: “não sei como será a terceira guerra mundial, mas sei como será a quarta: com paus e pedras”. Arrisco-me a dizer que a terceira guerra mundial já está em curso e será pela internet.

Na eleição de Donald Trump, as notícias falsas foram a principal vedete. Soltavam um boato. 10 milhões liam a notícia. Mesmo com os desmentidos, em média 20% dos que liam continuavam a acreditar no boato. A estratégia ajudou bastante a ganhar a eleição. Embora neguem, é um expediente largamente usado nas eleições do Brasil. As eleições deste ano serão insuportáveis. Com o advento da inteligência artificial, vai ter muita porcaria. Ganhar voto acho que não ganha, mas destrói a reputação alheia. E as mensagens se reciclam. Como o lixo.

O maior exemplo de boato que eu conheço é a história do voto nulo. Esse aparece de dois em dois anos. Diz a mensagem que se o número de votos nulos suplantar o número de votos válidos a eleição é anulada e os candidatos ficam inelegíveis. Mentira! Apostam no comodismo das pessoas que não conferem a veracidade da notícia. Para cargos executivos é considerado eleito aquele que tiver a maioria dos votos válidos ou metade mais um no caso de segundo turno independentemente do número de eleitores. O que conta são os votos válidos. Simples assim.

Outra que tem aparecido bastante é a filmagem de algum veículo militar e a mensagem de que o golpe militar estará em andamento nas próximas 48 horas. Recebo isso há muito tempo. Paradoxalmente, a imprensa tradicional que estava em baixa tomou novo vigor. As notícias têm autor, o que reforça sua credibilidade. As notícias das mídias sociais não têm origem identificável. Saudades do tempo em que o pior a receber no Whatsapp era alguma piada sobre o meu Palmeiras não ter um mundial...

Autor

Toufic Anbar Neto
Médico, cirurgião geral, diretor da Faceres. Membro da Academia Rio-pretense de Letras e Cultura