A Última Linha de Defesa - A Guerra contra a Resistência Antimicrobiana

Em 1928, o cientista escocês Alexander Fleming revolucionou a medicina ao descobrir a penicilina, o primeiro antibiótico capaz de combater infecções bacterianas até então fatais. A partir da década de 1930, os antimicrobianos começaram a ser utilizados comercialmente, inaugurando uma nova era no tratamento de doenças infecciosas. Contudo, menos de um século depois, a humanidade enfrenta um desafio preocupante: a Resistência Antimicrobiana (RAM), fenômeno que ocorre quando bactérias, fungos, vírus e parasitas sofrem alterações que os tornam capazes de resistir à ação dos antimicrobianos. Embora a resistência antimicrobiana seja um processo natural de adaptação dos microrganismos, sua incidência vem aumentando de forma alarmante devido a múltiplos fatores: o uso excessivo e inadequado de antimicrobianos, a automedicação, a falta de regulação e de fiscalização governamental e a escassez de novos antibióticos, consequência do baixo investimento em pesquisa e em desenvolvimento.

De acordo com estimativas publicadas na revista The Lancet (2022), a RAM foi responsável diretamente por 1,27 milhão de mortes e contribuiu para 4,95 milhões de óbitos em todo o mundo. No Brasil, o Ministério da Saúde calcula que a resistência antimicrobiana cause cerca de 34 mil mortes anuais, além de estar associada a outras 138 mil. Frente à preocupante expansão global da problemática, entre os dias 18 e 25 de novembro, a Semana Mundial de Conscientização sobre Resistência aos Antimicrobianos surge como um lembrete da urgência global em preservar a eficácia dos medicamentos antimicrobianos, em promover o uso racional de antibióticos e em fortalecer políticas de vigilância e de controle de infecções. A data visa mobilizar governos, profissionais da saúde, pesquisadores e a população em geral para enfrentar uma das maiores ameaças à saúde pública global, o avanço das superbactérias e a escassez de novas terapias eficazes.

No setor da saúde, a resistência antimicrobiana é motivo de especial preocupação em ambientes hospitalares. Além das falhas no sistema de saúde, onde profissionais prescrevem antibióticos em situações em que não há indicação clínica para tal, o comportamento da população também contribui para o avanço da resistência.

Apesar da gravidade do problema, medidas simples e acessíveis podem desempenhar um papel decisivo na redução da disseminação da resistência antimicrobiana. A higienização regular das mãos é uma das formas mais eficazes de prevenir a transmissão de microrganismos, enquanto a manutenção das vacinas em dia contribui para diminuir a ocorrência de infecções e, consequentemente, a necessidade do uso de antibióticos. Também é imprescindível não interromper o tratamento com antibióticos por conta própria e evitar o uso de medicamentos pertencentes a outras pessoas ou usar sobras de tratamentos anteriores. Essas práticas favorecem o surgimento de bactérias resistentes e comprometem a eficácia dos antimicrobianos no futuro. Além disso, podem provocar efeitos colaterais graves, como insuficiência renal e distúrbios do fígado.

Preservar a eficácia dos antimicrobianos é preservar vidas! Convidamos todos a praticarem um uso racional destes medicamentos e assim contribuir para que cumpram com o seu precioso papel no combate a enfermidades!

 

Discentes:

Bruno Fiorin Delborgo (1º ano)

Ricardo Baruque Junior (1º ano)

Coautor:

Prof.º Dr.º Arlindo Schiesari Junior

 

Foto: Reprodução/Júlio Vargas Laboratório

Autor

Doses de Informação - Fameca/Unifipa
Pílulas mensais sobre a saúde | Projeto de Extensão Universitária da Faculdade de Medicina de Catanduva - Unifipa | Orientadoras: Prof.ª Dr.ª Adriana Sanchez Schiaveto e Prof.ª Ma. Juliana Guidi Magalhães