A transfiguração das Américas

A região do Parque das Américas, em épocas da fundação da cidade, era um terreno muito comprometido pelas cheias do Rio São Domingos, tornando-o pouco habitado nesse período inicial. 

Por volta de 1915, o local era habitado principalmente por japoneses, que cultivavam arroz nas margens do rio, depois de terem cortado a taboa e matado as cobras que existiam no local. Na época, existia apenas um cinema na cidade, o Central, que se localizava na rua Brasil, bem próximo à Estrada de Ferro.

Era muito comum em dias chuvosos as pessoas não conseguirem chegar para assistir às sessões, por consequência da elevação das águas. Nessas ocasiões, os japoneses, que habitavam a região, cobravam cerca de duzentos réis para transportarem os “almofadinhas” que vinham assistir às sessões e não queriam sujar o pé de lama ou molhar o sapato. 

Melhoramentos  

A questão das cheias e das terras encharcadas foi um dos maiores problemas antigos do local. Vários administradores realizaram medidas para a solução do problema, como colocação de sarjetas no aterro, alargamento do rio e colocação de gramas nos barrancos, chegando a se plantar eucaliptos na borda do rio para tentar resolver o problema. 

Após algum tempo, a várzea foi secando, os bois e os cavalos das carrocinhas deixaram de beber água no trecho da rua Pará e os eucaliptos foram cortados. 

Na administração de João Lunardelli, dava-se continuidade ao processo de aterramento e a construção das pontes de cimento, num acordo realizado entre a Prefeitura Municipal e a Estrada de Ferro. 

Diante disso, começaram a surgir vários palpites do que se poderia construir naquela região, chegando a ser cogitada a construção do Paço Municipal, ou ainda, uma estação rodoviária, um clube recreativo, um hotel, entre outros. 

Dentre essas ideias, uma se efetivou e ganhou destaque frente à administração: de se construir naquele local um grande jardim, transformando-o no pulmão da cidade, ideia esta iniciada em janeiro de 1943. 

A continuidade foi dada durante a gestão do prefeito Sílvio Salles, que realizou a maioria das obras no local, completando o aterramento e o embelezamento do lugar. Muitos comerciantes na época doaram bancos para serem instalados na referida praça para trazer mais comodidade às pessoas.  

Construções  

Com o passar dos anos, o local foi perdendo sua essência original e foi se transformando num palco de grandes construções. 

Um dos primeiros prédios a serem construídos no local foi o Parque Infantil Elizabeth Felipe Miziara, inaugurado em 11 de outubro de 1955, na região onde hoje se encontra o Fórum local. No mesmo ano se deu a instalação do Pedestal das Bandeiras, constando de um pedestal e de dois altos mastros para as Bandeiras, colocado no local onde hoje se encontra a Prefeitura Municipal. 

Posteriormente, o Parque Infantil deixou de funcionar no local e o prédio que o abrigava ficou vazio. Surgiu, então, uma iniciativa do vereador Libano Pachá, em utilizar o prédio para abrigar a Câmara Municipal de Catanduva, funcionando a partir de 03 de novembro de 1964. 

E as mudanças não pararam por aí: em 1970 ocorreu uma mudança no que se refere à nomenclatura das praças, onde a primeira quadra do Parque das Américas passou a ser chamada de Praça Conde Francisco Matarazzo, que compreendia o bloco entre as ruas XV de Novembro, Brasil, Maranhão e avenida São Domingos, e um ano depois foi colocado um busto do referido conde e o altar da pátria foi transferido para a Praça 09 de Julho.  

Obras públicas  

Anos mais tarde, o prédio onde estava instalada a Câmara Municipal foi demolido para a construção de um novo e amplo prédio para abrigar o Fórum de nossa cidade, sendo inaugurado em 21 de maio de 1977. 

Aumentando e modificando ainda mais o Parque das Américas, foram construídos os prédios da Prefeitura Municipal de Catanduva, bem como a Câmara Municipal, durante o primeiro mandato do prefeito Dr. Warley Agudo Romão, na Praça Conde Francisco Matarazzo. O prédio da prefeitura ficou pronto em 1982 e o da Câmara, por ser menor, foi inaugurado em 31 de janeiro de 1979. 

Enquanto ainda se dava continuidade às obras do prédio da prefeitura, trabalhava-se na praça central. Foi-se construído um novo Altar da Pátria, que novamente foi transferido para o Parque das Américas e a construção de um sanitário público. 

Novas mudanças aconteceram no tão revirado parque na administração do prefeito Dr. José Alfredo Luiz Jorge, que no dia 16 de abril de 1988 inaugurou o I Centro de Convivência da Terceira Idade José Pedro Martins, destinado à prática de jogos de bocha, partidas de truco, xadrez e damas, além de proporcionar um local de encontro para as pessoas de mesma idade. 

Outra grande mudança aconteceu em 1992 com a construção do Terminal Urbano, que inicialmente se pensou em construí-lo no local onde hoje se encontra o pátio de serviço da prefeitura. 

O terminal teve um custo de Cr$ 80 milhões aos cofres municipais e foi na época bastante criticado pela população na questão arquitetônica, já que não protegia ninguém da chuva ou sol. 

Vale lembra também que outra mudança do aspecto do parque foi a instalação de várias barracas de camelôs, que forçaram a transferência do altar da pátria mais uma vez. 

Atualmente, todos os itens que existiam na praça central foram retirados, contando somente com o terminal urbano. 

 

Fonte de Pesquisa:  

 - Acervo do Centro Cultural e Histórico Padre Albino 

 

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Foto do Parque das Américas em 1965, local onde hoje se encontra o terminal urbano. Notem a exuberância dos jardins e alguns bancos, muito favorável ao lazer e ao passeio das pessoas  

 

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Foto aérea do Parque das Américas em 1963, mostrando a beleza de seus jardins. Interessante perceber que nessa época só tinha construído o prédio do Grupo Infantil Elizabeth Felipe Miziara (no canto direito), onde funcionou, a partir de 1964, a Câmara Municipal de Catanduva e depois de derrubado o prédio, foi construído o Fórum local