A tragédia de Hamnet
Uma mulher com sensibilidades místicas nascida da floresta, encontra um homem que traduz sua vida na arte - amor, paixão, dor.
No mundo de Hamlet a tragédia é o ápice que traduz dor e, simbolicamente, a partir da atuação em cena, trazem à tona personagens que encenam a valorização do homem e da razão, trazendo criaturas poéticas profundamente humanas, protagonistas que falam de seus dilemas.
O filme “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet” que foi dirigido pela chinesa Chloe Zhao, traduz em tonalidades a vida cotidiana de Shakespeare de maneira intensa e sensível, e nos transporta para uma tragédia familiar a partir da cena de um filho que se mimetiza com sua irmã gêmea lhe devolvendo à vida. A partir de uma dor, cada um se confronta com o luto à sua maneira.
No filme, William Shakespeare e sua esposa Agnes celebram o nascimento de seus filhos, mas quando a tragédia atinge a família, Will se inspira a escrever a sua obra-prima intemporal, Hamlet.
Faz tempo que eu não falava sobre filmes em meus textos, mas ao assistir este, fiquei tão tocada que, com curiosidade, fiquei pensando no que a Chloe Zhao queria nos comunicar além da história do filme, e o quanto sua sensibilidade como diretora me tocou enquanto assistindo, as cores falavam por si só.
Os tons das cenas e a intensidade com que eles traduziam sensivelmente suas vidas cotidianas só podiam falar de Shakespeare, encenado tão bem nesta obra gigantesca.
A arte imita a vida, e em Hamnet, trouxe amor e dor, ambas em constante acordo em tempos sombrios que somente o trabalho do luto é capaz de proporcionar.
Que filme lindo, daqueles que tocam fundo o coração e nos proporciona enxergar os sentimentos contidos nas profundezas da existência, que neste filme, foi atravessado por extremas vivências de dor, amor, elaboração e luto.
O filme é baseado no romance homônimo de Maggie O’ Farrell lançado em 2020, vejam o comentário do livro em @livros.no.divã.
Não deixem de assistir o filme!
Música “My Robin to the greenwood did go” com Max Ritcher.
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