A nova versão de O Morro dos Ventos Uivantes

O Morro dos Ventos Uivantes, em exibição esta semana nos cinemas de Catanduva (no Shopping) é uma releitura bem ousada do clássico livro da escritora britânica Emily Brontë. Publicado em 1847, foi o único romance dela e narra a paixão obsessiva e destrutiva entre Catherine Earnshaw e Heathcliff. A obra se destaca por personagens complexos, movidos por ódio, vingança e desejo, sem a idealização romântica típica da época.

A adaptação dirigida e roteirizada por Emerald Fennell (Saltburn e Bela Vingança) traz Margot Robbie (Barbie) como Catherine e Jacob Elordi (Frankesnstein) como Heathcliff. A trama concentra-se apenas na primeira geração de personagens, ignorando a segunda parte do livro. Talvez pretendam usá-la numa sequência, a depender do sucesso da produção nas bilheterias.

O filme enfatiza a tensão sexual entre os protagonistas, substituindo a união espiritual descrita por Brontë por uma estética mais provocadora e contemporânea. Numa busca de diversidade, foi incluída a personagem Hong Chau (Nelly Dean). Curiosamente, Heatcliff, no livro, era descrito como um “estrangeiro não branco”, o que não é o caso de Elordi e motivo de muitas críticas.

O romance já inspirou diversas adaptações, desde a clássica de 1939, de William Wyler, com Laurence Olivier e Merle Oberon. Entre versões para cinema, TV e teatro, destaca-se a de 1992, com Ralph Fiennes e Juliette Binoche. Além da mais recente, a releitura contemporânea de Andrea Arnold em 2011, disponível no Prime Video.   

O filme gerou polêmica desde o anúncio, principalmente pelas diferenças entre o lado espiritual e gótico do livro com o contraste mais explicitamente sexual do filme. A diretora declarou que buscava “subverter o gótico clássico” e trazer uma leitura mais visceral e contemporânea.  Tanto, que o filme remete a outra obra de Fennell, Saltburn, de 2023, pela estética exagerada e provocadora. 

Assim, essa nova versão de O Morro dos Ventos Uivantes não pretende ser fiel ao texto de Brontë, mas reinterpretá-lo sob uma ótica moderna e polêmica. Por isso mesmo, é uma obra que divide opiniões: para alguns, uma traição ao espírito original do livro; para outros, uma atualização necessária que mantém viva a força perturbadora da obra e, desse modo, torná-la mais acessível ao público jovem e contemporâneo.

Autor

Sid Castro
É escritor e colunista de O Regional.