A inércia do Ministério da Saúde

A suspensão temporária da vacinação de rotina contra a raiva para cães e gatos em todo o Estado de São Paulo, determinada pela Secretaria de Estado da Saúde e pelo Instituto Pasteur, não é um mero contratempo. É um atestado de negligência administrativa no mais alto escalão da saúde federal. A causa, conforme divulgado, é um desabastecimento nacional provocado pelo atraso no processo licitatório do Ministério da Saúde para a aquisição do imunobiológico. A raiva é uma zoonose com letalidade próxima a 100% em humanos após o surgimento dos sintomas. A vacinação animal é, portanto, uma medida de saúde pública preventiva, estabelecida e rotineira. Quando a máquina governamental falha em antecipar a demanda e executa com atraso uma licitação para um insumo vital e previsível, o resultado é a exposição desnecessária de milhões de animais e, consequentemente, da população humana. Não há justificativa técnica aceitável para que a burocracia federal paralise uma campanha de prevenção tão fundamental. A crítica aqui não se dirige ao esforço dos órgãos estaduais e municipais, que agora lidam com as consequências da falha central. A reprovação recai sobre a falta de gestão e antecipação do Ministério da Saúde. Um órgão com a responsabilidade de coordenar a saúde de 215 milhões de brasileiros não pode se dar ao luxo de deixar que a falta de um insumo básico ocorra por inépcia em um processo licitatório. O cenário em São Paulo serve como um alerta severo: se a gestão federal permite que uma vacina de rotina, conhecida por sua necessidade anual, se esgote por falha de planejamento, qual a garantia que temos sobre a cadeia de suprimentos de imunizantes essenciais à saúde humana? O risco de descontinuidade no calendário vacinal humano, seja contra sarampo, poliomielite ou outras doenças, torna-se uma ameaça real e iminente. É urgente que o Ministério da Saúde demonstre capacidade de gestão e responsabilidade, garantindo que a segurança sanitária do país não seja refém de atrasos evitáveis.

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Da Redação
Direto da redação do Jornal O Regional.